Estudo alerta para comércio ilegal de peles de pitão

As peles de cobra estão na moda. Mas um estudo divulgado esta semana alerta para os riscos do comércio ilegal de espécies de pitão, sobretudo do Sudeste Asiático para a Europa.

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Cerca de meio milhão de peles de pitão são comercializadas anualmente Joe Raedle/AFP

A Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies da Flora e Fauna Selvagens em Perigo de Extinção – conhecida pela sigla CITES – obriga a um controlo do comércio de espécies selvagens de cobras pitão que não são consideradas ameaçadas. Para as criadas em cativeiro, há maior liberdade. Mas o estudo sustenta que, mesmo que uma parte das exportações tenha sido assim justificada, criar cobras pitão tem custos maiores do que o seu valor de mercado. “A hipótese comercial não é convincente”, conclui o estudo.

Peles de cobra ilegais são usualmente escondidas entre cargas legais e as quotas, quando existem, são ignoradas. “Aparentemente, uma proporção substancial das peles comercializadas tem origem ilegal em animais selvagens, além das quotas acordadas e valendo-se de autorizações falsas”, acusa Tomas Waller, da União Internacional para Conservação da Natureza, um dos especialistas envolvidos no estudo.

O valor das peles aumenta e muito ao longo da cadeia de comercialização. Um caçador vende uma pele por oito euros o metro. Os produtos finais chegam a custar mil vezes mais. Cerca de 96% do valor fica com a indústria europeia da moda.

Apesar das preocupações acerca da sustentabilidade do negócio, o relatório sustenta que as espécies de pitão mais comercializadas têm grande resiliência, devido à sua capacidade de adaptação e às suas taxas altas de crescimento e reprodução. No entanto, muitos animais são mortos ainda antes de atingirem a maturidade sexual. “É possível que esta redução no número de adultos em idade reprodutiva (em especial fêmeas) tenha impactos na capacidade das populações de se manterem estáveis”, explica o estudo.

Os investigadores classificam, ainda, como desumano o método de morte por asfixia, utilizado por exemplo no Vietname. Os animais levam 15 a 30 minutos até morrerem. Na Malásia, as cobras são decapitadas e, na Indonésia, são mortas com uma pancada na cabeça. O estudo cita um relatório da Comissão Europeia a dizer que a “o traumatismo craniano, e a eventual destruição do cérebro, são uma forma humana de eutanásia para os répteis”.