Pedro Filipe Marques, um cineasta a crescer

A Nossa Forma de Vida, documentário de Pedro Filipe Marques, vem somando prémios internacionais, depois da consagração no Doclisboa 2011.

D. Fernanda, Sr. Armando, um veterano comunista e a mulher, oito andares acima do solo, no Porto. E um “fantasma”, o neto, Pedro Filipe Marques - que se esforça por permanecer invisível com a câmara dentro do apartamento dos avós. Pedro fê-lo durante três anos, entre 2007 e 2011, cansado de forçar a ficção, quando, afinal, tinha à disposição a realidade, uma parte da memória familiar.

 A Nossa Forma de Vida começa por se parecer com um retrato pícaro de duas “personagens”. Mas aquela torre de apartamentos no Porto vai-se revelando uma barricada: separando um mundo, “lá dentro”, de regras próprias, onde os outros não têm lugar e onde se reinventa de forma poderosa o que se passa “lá fora”... Afinal, há ali mais presenças invisíveis para além do neto cineasta, cujo trabalho, na verdade, é estar atento e captar todas as manifestações de possibilidades. E assim possibilitar ao espectador o mergulho na ficção que o mundo incentiva.

Algures, em A Nossa Forma de Vida, também se tacteia a morte. Não há como escamoteá-lo. Há qualquer coisa de veemente na fragilidade de Armando/Fernanda. Diz-nos que a "velhice" talvez seja uma zona de verdade: põe-nos em contacto com o grande nada.

A Nossa Forma de Vida foi considerado em 2011 a melhor primeira obra na competição nacional do DocLisboa. Já em 2012 recebeu Menção Especial do Júri do Prémio Joris Ivens no Cinéma du Réel e o Prémio Extra Muros, destinado a realizadores que assinem primeira ou segunda obra documental,  no Festival de Pravo Ljudski em Sarajevo. É um filme a crescer, é um realizador que queremos ver crescer.

Pedro Filipe Marques é licenciado em Realização pela Escola Superior de Teatro e Cinema de Lisboa. Trabalha no cinema desde 1999 e montou, entre outros, Lisboetas, de Sérgio Tréfaut, e Juventude em Marcha, de Pedro Costa.