Mais quatro tibetanos imolam-se no Oeste da China

Contestação ao domínio chinês do Tibete sobe de tom no Oeste da China. Em menos de dois anos, 80 pessoas lançaram fogo sobre si próprias.

Manifestação na Índia a favor da independência do Tibete
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Manifestação na Índia a favor da independência do Tibete Diptendu Dutta/AFP

Quatro tibetanos lançaram fogo a si próprio entre domingo e segunda-feira em regiões do oeste da China, onde está a crescer a contestação contra a tutela de Pequim. Três deles não terão sobrevivido.

A informação foi adiantada por activistas à Radio Free Asia – o acesso de jornalistas estrangeiros à região é muito dificultado pelas autoridades chinesas.

Segundo aquelas fontes, uma freira budista, de apenas 17 anos, ateou fogo às suas roupas durante uma acção de protesto no domingo na província de Qinghai, às portas da região autónoma do Tibete. Não resistiu às graves queimaduras, acabando por morrer.

No dia seguinte, dois rapazes, de 18 e 24 anos, puseram termo à vida da mesma forma na região de Gansu e um antigo monge, de 20 anos, ateou fogo às suas roupas na província de Sichuan, tendo sido rapidamente levado do local pela polícia. Desconhece-se se sobreviveu.

 “Praticamente todos os dias nos chegam informações de imolações”, diz Stephanie Brigden, directora da ONG Free Tibet, que disse ter apenas a confirmação de dois suicídios e de uma tentativa falhada.

Mais de 80 pessoas, na sua maioria monges budistas, recorreram a este protesto extremado desde Março de 2011 nas províncias que fazem fronteira com a região autónoma e onde vivem importantes comunidades tibetanas. Mais de metade terá morrido. Um acto de desespero contra a tutela chinesa do Tibete, incorporado por Pequim em 1951, e contra o que dizem ser a repressão religiosa  e cultural da sua população.

O regime chinês alega que a região está mais próspera do que nunca, e acusa a liderança tibetana no exílio, incluindo o Dalai Lama, de instigar estas “acções criminosas”. Pelo menos seis pessoas morreram desta forma durante os dias que durou, em Pequim, o congresso do Partido Comunista Chinês.

Os responsáveis da Free Tibet relatam um outro protesto que terá levado à hospitalização de 20 estudantes de uma escola na província de Qinghai. Segundo os activistas, cerca de um milhar de alunos reuniu-se na escola em protesto contra a distribuição de um livro que declarava irrelevante o estudo da língua tibetana e considerava as imolações “actos de estupidez”.