Transporte marítimo de mercadorias caiu 6,3% no terceiro trimestre

Segundo o Instituto Nacional de Estatística, o efeito das greves dos estivadores é visível na quebra do movimento portuário.

Sindicatos têm reunião com o Governo a 18 de Janeiro
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Ritmo de crescimento económico esperado para Portugal fica, no entanto, aquém do valor esperado para a média da zona euro PÚBLICO/Arquivo

O movimento de mercadorias nos portos nacionais diminuiu 6,3% no terceiro trimestre, sendo a queda ainda mais acentuada em Setembro, com uma descida de 18,5% no volume de carga movimentada, devido ao efeito da greve dos estivadores.

Segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE), a redução de tráfego de 8,4% no terceiro trimestre, face ao período homólogo, reflectiu-se na variação negativa da dimensão das embarcações entradas (-3,7%) e no movimento de cargas (-6,3%), que atingiu 16,8 milhões de toneladas.

A diminuição de tráfego intensificou-se em Setembro, com um decréscimo de 20,5% nas embarcações entradas e de 18,5% no volume de carga movimentada, face ao mês homólogo.

O Sindicato dos Estivadores do Centro e Sul tem convocado greves parciais sucessivas desde 17 de Setembro e vai prolongar a paralisação nos portos de Lisboa, Setúbal, Aveiro e Figueira da Foz, até às 8h00 do dia 17 de Dezembro.

A greve parcial visa contestar a nova lei sobre o regime jurídico do trabalho portuário, que teve o acordo de alguns sindicatos, afectos à UGT, que – segundo o Governo - representam 60% dos trabalhadores e operadores portuários.

As cargas dos portos em greve têm sido escoadas essencialmente por Sines e Leixões: no terceiro trimestre, o porto do Norte recuperou da variação homóloga negativa verificada no segundo trimestre, aumentando em 5% o volume de mercadorias movimentadas.

Leixões destacou-se também no tráfego internacional, com um acréscimo de 14,2%.

Já Sines manteve uma variação homóloga negativa (-6,5%) no terceiro trimestre, apesar do bom desempenho de Junho, com uma subida de 12%.

O movimento de mercadorias caiu significativamente em Lisboa (-12,2%) e em Setúbal (-16,6%) e teve resultados ligeiramente negativos em Aveiro e Figueira da Foz (-1,6% e -3,5%, respectivamente, face ao trimestre homólogo)

Nas regiões autónomas da Madeira e dos Açores, os portos de mercadorias registaram também variações homólogas expressivas no terceiro trimestre, com -19,2% no Caniçal e 21,1% em Ponta Delgada.

O tráfego internacional de mercadorias nos portos portugueses desceu 4% no terceiro trimestre, menos do que o movimento nacional de cargas (-15,3%).

A excepção foi o porto de Lisboa, que apresentou um aumento homólogo de 10,8%.