Platini admite mudar formato das competições europeias em 2015

Presidente da UEFA reconhece também que recurso a imagens vídeo para ajuizar o fora-de-jogo “poderia” ser útil.

Platini é irredutível na sua oposição à tecnologia no futebol
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Michel Platini: “Há alturas na vida em que temos de tomar o destino nas nossas próprias mãos” Gabriel Bouys/AFP

A UEFA está a reflectir sobre uma reforma ao formato das competições europeias para 2015, admitiu o presidente Michel Platini, que não excluiu a ideia de suprimir a Liga Europa e alargar a Liga dos Campeões.

“Há uma reflexão em curso para determinar que forma terão as competições europeias entre 2015 e 2018. Estamos a discutir e será tomada uma decisão em 2014. Para já ainda nada está decidido”, disse o dirigente da UEFA, numa entrevista que será publicada quarta-feira pelo Ouest-France, questionado sobre uma possível Liga dos Campeões a 64 equipas. Actualmente, 32 emblemas participam na fase de grupos da Liga dos Campeões, num formato que entrou em vigo em 1999-2000. A Taça UEFA, criada em 1971, foi rebaptizada como Liga Europa em 2009-2010.

Platini, presidente da UEFA desde 2007, não se mostrou preocupado pela eventual criação, por parte dos clubes mais poderosos, de uma prova concorrente da Liga dos Campeões. “É uma questão que surge regularmente, mas que não me inquieta. Não vejo como isso poderia funcionar fora do enquadramento da UEFA. Quem arbitraria os jogos? Em que estádios jogariam? E será que as pessoas querem uma prova assim? Não creio”, afirmou o francês.

Vídeo “poderia” ser útil no fora-de-jogo

Tradicionalmente um opositor dos meios tecnológicos auxiliares da arbitragem, Michel Platini admitiu também que as imagens de vídeo “poderiam” ser úteis para ajuizar o fora-de-jogo, sem no entanto acreditar que tal venha a ser uma realidade. “Existe apenas um aspecto complicado, para o qual poderíamos necessitar do vídeo, e digo poderíamos, que é o fora-de-jogo. Porque é muito difícil para os árbitros ajuizarem. E, porém, seria necessário ter uma câmara no elemento que carrega no botão, para saber o momento em que a bola parte. Por isso não acredito. O resto é interpretação: falta ou não, linha de golo, não é muito difícil”, disse Platini.

O presidente da UEFA tem-se mostrado reiteradamente contrário a toda a tecnologia de linha de golo, que será experimentada pela FIFA, pela primeira vez em competição, durante o Mundial de clubes no Japão, entre 6 e 16 de Dezembro. Platini considerou que as equipas de cinco árbitros estabelecidas pela UEFA “provaram” a sua utilidade.

“O senhor Blatter [presidente da FIFA] diz que é caro ter cinco árbitros. Nas competições da UEFA, se quisermos aplicar tecnologia na linha de golo, nada mais, isso custaria 32 milhões de euros no primeiro ano e 54 milhões em cinco épocas. Os árbitros custam-nos 2,3 milhões. As contas são fáceis de fazer”, vincou.

“Como já disse, [a utilização de imagens vídeo] vai contra a natureza do jogo. E utilizar tecnologia na linha de golo é a porta de entrada para o vídeo no futebol, de uma forma mais geral. Sou contra isso”, frisou Platini.

O dirigente da UEFA declarou também a sua oposição à tripla penalização (penálti, cartão vermelho e suspensão) por uma falta na área que anule um lance de golo. “Sim, sou totalmente contra. E também o são todas as comissões de futebol, FIFA e UEFA. Na área, cartão amarelo e penálti é suficiente. É o International Board [organismo responsável pelas regras do jogo] que não quer mudar. Mas isso deverá evoluir. Estamos a caminhar para a abolição dessa regra”, concluiu.

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