Novas contrapartidas dos submarinos são “muito más”, diz especialista em tribunal

Segunda sessão do julgamento do caso dos submarinos decorre esta segunda-feira em Lisboa. Miguel Horta e Costa fala em mau negócio para o Estado português.

Horst Weretecki, antigo vice-presidente da Man Ferrostaal e um dos três arguidos alemães no processo
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Horst Weretecki, antigo vice-presidente da Man Ferrostaal e um dos três arguidos alemães no processo Daniel Rocha

Os negócios que o actual Governo aceitou como contrapartidas pela compra de dois submarinos a um consórcio alemão são “muito maus”.

A opinião foi transmitida esta segunda-feira em tribunal por Miguel Horta e Costa, consultor da Escom, a empresa que a Ferrostaal – uma das três empresas alemãs que compõem o consórcio vendedor – contratou para construir o pacote de contrapartidas da aquisição dos submarinos que custou a Portugal cerca de mil milhões de euros.

Num depoimento feito a “saca-rolhas”, como lhe chamou a juíza-presidente, que várias vezes avisou a testemunha que tinha o dever de responder com verdade às questões que lhe eram colocadas, Miguel Horta e Costa falou das novas contrapartidas, renegociadas em Outubro pelo actual ministro da Economia, Álvaro Santos Pereira.

“Reconstruir um hotel velho no Algarve…”, afirmou o consultor, que acabou por não terminar a frase após uma repreensão da juíza para se centrar no que está em causa neste processo.

Miguel Horta e Costa falou numa mudança da equipa alemã que acompanhava o processo das contrapartidas, mostrando-se muito crítico do trabalho dos responsáveis da Ferrostaal que assumiram esta negociação e são arguidos neste caso.

Sem conseguir concretizar as divergências, o consultor acabou por dizer que a equipa alemã que assumiu as negociações pouco antes da assinatura dos contratos, em Abril de 2004, queria soluções “baratas” e “rápidas”.
 

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