Maior parte dos hospitais deixou de fazer cirurgias de obesidade

Presidente da Associação de Obesos e Ex-Obesos volta a criticar o facto de o Programa de Tratamento Cirúrgico da Obesidade ter deixado de ter um orçamento próprio em 2012.

Em Maio havia quatro mil doentes com obesidade mórbida à espera de cirurgia
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Em Maio havia quatro mil doentes com obesidade mórbida à espera de cirurgia Fernando Veludo

A maior parte dos hospitais deixou de fazer ou diminuiu muito o número de cirurgias de obesidade, afirmou o presidente da Associação de Obesos e Ex-Obesos de Portugal (ADEXO), Carlos Oliveira, depois de o Ministério da Saúde ter publicado hoje em Diário da República uma portaria que integra este tipo de intervenções nos contratos-programa das unidades de saúde.

A maior parte dos hospitais deixou de fazer ou diminuiu muito o número de cirurgias de obesidade, disse esta quinta-feira o presidente da Associação de Obesos e Ex-Obesos de Portugal (ADEXO), Carlos Oliveira, depois de o Ministério da Saúde ter publicado hoje em Diário da República uma portaria que integra este tipo de intervenções nos contratos-programa das unidades de saúde.

Apesar de ter sido aprovada no início deste mês, a portaria tem efeitos retroactivos a 1 de Janeiro. “O que isto significa é que o Programa de Tratamento Cirúrgico da Obesidade [PTCO] não foi revogado mas deixou de ter uma verba própria”, ao contrário do que aconteceu em 2010 e 2011, explica. 

Lançado em 2009, o PTCO tinha um orçamento próprio (12 milhões de euros em 2010 e em 2011), o que deixou de acontecer este ano, uma vez que os hospitais passaram a integrar estas intervenções na produção normal.

Consequência: sem orçamento próprio para o programa, a maioria dos hospitais parou, sustenta Carlos Oliveira, que, já em Maio passado, tinha denunciado este problema ao PÚBLICO. Pelo menos quatro mil doentes com obesidade mórbida estariam então à espera de ser chamados para realizar cirurgias bariátricas, seja um bypass ou a colocação de uma banda gástrica.

O presidente da ADEXO defende que a situação só se pode ter agravado desde então porque, além da diminuição verificada nos hospitais públicos, como o Ministério da Saúde baixou entretanto o preço a pagar por este tipo de cirurgias nos hospitais privados, a associação que representa estes últimos já disse que deixaram de estar interessados em fazer operações com um preço abaixo do custo.

Desta forma, conclui Carlos Oliveira, "isto vai parar tudo e as listas de espera vão aumentar substancialmente".