Transportadoras públicas já gastaram 17,5 milhões com despedimentos neste ano

Dados relativos aos primeiros nove meses de 2012 mostram uma subida homóloga de 40% no valor gasto em indemnizações.

Transtejo foi a que mais gastou com indemnizações, num total de 8,8 milhões
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Carris é uma das empresas públicas que recebem indemnizações compensatórias Ricardo Silva
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Transtejo foi a que mais gastou com indemnizações, num total de 8,8 milhões Vasco Neves

As empresas de transportes do Estado têm vindo a emagrecer substancialmente os seus quadros de pessoal, fruto dos compromissos assumidos pelo Governo junto das autoridades externas. A meta de reequilíbrio operacional definida para este ano já levou à saída de mais de 2000 trabalhadores desde meados de 2011.

Estas reestruturações têm implicado gastos com indemnizações que superam largamente os ocorridos em anos anteriores. Dados a que o PÚBLICO teve acesso revelam que, entre Janeiro e Setembro, as transportadoras públicas gastaram mais de 17,5 milhões de euros com indemnizações.

Face aos primeiros nove meses de 2011, durante os quais estas empresas despenderam 12,5 milhões de euros com saídas de pessoal, trata-se de uma subida de 40%. A diferença é ainda maior quando comparado com os gastos registados nesta rubrica em 2010: apenas 5,1 milhões de euros.

Apesar deste aumento de custos, as transportadoras do Estado conseguiram já apresentar um resultado operacional positivo em Junho, embora de apenas 1,9 milhões de euros. No final de Setembro, a margem melhorou fruto de uma redução mais acentuada nos custos, o que levou estas empresas a alcançarem resultados operacionais positivos de praticamente seis milhões.

Efectivamente, foi pelo lado das despesas que se conseguiu suportar esta inversão de resultados, face ao que tem vindo a ser registado nos últimos anos. Os custos operacionais dos primeiros nove meses de 2012 caíram 10,7% para 577 milhões de euros (valor que compara com os 646,3 milhões do ano passado).

Isto ao mesmo tempo que as receitas operacionais continuaram a apresentar um impulso positivo, com um aumento de 9% para 457,6 milhões, dos quais 125,4 milhões de subsídios do Estado. Apesar de ter havido neste ano uma subida expressiva nos preços praticados, as vendas têm vindo a ser penalizadas por uma quebra na procura, também muito associada ao fenómeno do desemprego.

É de esperar que o reequilíbrio operacional do sector continue a depender, em muito, dos cortes de custos, embora se preveja que o esforço financeiro das transportadoras com indemnizações irá aumentar. O Governo inscreveu no Orçamento do Estado para 2013 uma medida que obrigará estas empresas a reduzir em 20% a estrutura de pessoal, o que significa que vão perder, pelo menos, mais mil trabalhadores.

O executivo tem sublinhado o feito conseguido com as transportadoras, deficitárias há décadas. No entanto, apesar de apresentarem resultados operacionais positivos, ainda falta saber se essa conquista chega para estancar os prejuízos (que têm em conta também os resultados financeiros, como os encargos pagos com juros).