Rizumik é o “beatboxer” português que conquistou a América

Tem 28 anos e já é o melhor "beatboxer" dos EUA. Tiago Grade, Rizumik quando pega no microfone, vai agora conquistar a Europa

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Entre as principais inspirações de Rizumik estão os STOMP, o Cirque du Soleil e o Bobby McFerrin Tokyo´Clock/ Flickr

Rizumik, nome artístico de Tiago Grade, já é uma referência no "beatbox" nacional e internacional. Com apenas 28 anos consagrou-se vencedor do American Beatbox Championship de 2012. E não vai parar por aqui — está em digressão pela Europa até Abril.

 

Tudo começou quando quis "imitar os sons de uma bateria". O "beatbox" entranhava-se, assim, de uma forma muito “natural” na vida de um jovem Tiago. A curiosidade por explorar mais sons foi crescendo, tal como ele. Inicialmente, dedicou-se mais à "percussão vocal", uma vertente que implica a imitação perfeita de um determinado instrumento, enquanto que o "beatbox" implica outro tipo de sons. 

 

"Não escolhi o 'beatbox', mas sim a arte", diz, em entrevista ao P3. Foi esta a forma que encontrou para “exprimir de forma rítmica" a sua "essência" e o modo "como interpreta o mundo”. Como? “O ritmo é uma linguagem universal que tem uma ligação directa e paralela com o tempo”, justifica.

 

O improviso é uma das especialidades do Tiago. Por isso ofereceu ao P3 uma pequena amostra do seu beatbox

O melhor "beatboxer" dos EUA

Em 2011, a vida de Tiago Grade mudou por completo. Estava em Macau a realizar um estágio profissional na sua área de formação (publicidade e marketing) quando recebeu uma proposta dos The Voca People. Convidavam-no para integrar o grupo numa produção em Nova Iorque. Não pensou duas vezes: fez as malas e partiu. 

 

Já instalado, decidiu candidatar-se ao American Beatbox Championships, que desde 2010 elege o melhor performer da área. Na fase de selecção apenas foram admitidos 16 "beatboxers": Tiago, Rizumik quando segura o microfone, foi um deles, acabando por se sagrar o melhor "beatboxer" dos EUA. 

 

"Foi uma experiência muito boa e enriquecedora", recorda. Até porque teve a oportunidade de “partilhar o palco com 'beatboxers' vindos de todas as partes dos Estados Unidos”. Rizumik arrisca uma possível explicação para a vitória: "Não sou um 'beatboxer' de muita técnica." E isso ajudou? Parece que sim. Como não é (ainda) uma profissão a tempo inteiro, sente-o "de uma forma única", conseguindo "viajar através do ritmo". A verdade é que o "beatbox" não lhe ocupa a mente no dia-a-dia porque os sons “surgem de forma natural”. O segredo é esse — "que o som saia, simplesmente, sem pensar".

 

É uma arte "única e especial" porque permite que cada um se "explore a si mesmo através da música". Por isso é que não há "beatboxers" iguais: tudo depende da própria pessoa. E boas notícias: pode parecer complicado, mas está ao alcance de cada um. Afinal todos conseguimos produzir sons. O difícil é "conseguir encadeá-los" com uma lógica rítmica. Nada que não se consiga fazer com formação, treino e, claro, uma pitada de talento.

 

Quanto ao futuro, Rizumik espera “continuar a aprender e a evoluir”, assim como, um dia, “desenvolver um projecto independente”. Para já, vai fazer uma digressão pela Europa com os The Voca People até meados de Abril. Os pontos de paragem são Roménia, Suíça e Áustria, sendo que a Alemanha e os Estados Unidos podem vir a estar nos planos também.