Crónica de jogo

Benfica centra atenções em Braga após sexta vitória consecutiva

Uma falha infantil do Olhanense abriu as portas da vitória e Luisão confirmou tudo no segundo tempo. Algarvios não estragaram a festa do 100.º jogo de Jesus na Liga à frente dos “encarnados”

Cardozo marcou o 7.º golo no campeonato
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Cardozo marcou o 7.º golo no campeonato Miguel Riopa/AFP

Será provisoriamente isolado no comando do campeonato, com três pontos de vantagem sobre o FC Porto, que o Benfica assistirá à difícil deslocação dos “dragões” ao campo do Sp. Braga. No 100.º jogo do campeonato de Jorge Jesus, à frente dos “encarnados”, uma falta infantil de Vasco Fernandes abriu o caminho da vitória sobre o Olhanense, na Luz, com Cardozo a apontar, de penálti, o seu sétimo golo na Liga. Os algarvios só esboçaram uma reacção nos instantes iniciais da segunda metade, mas Luisão confirmou a sexta vitória da sua equipa, aos 72’.

Mais do que seria expectável, Jorge Jesus mexeu na equipa titular que derrotou o Celtic neste mesmo estádio (2-1), a meio da semana, para a Liga dos Campeões. Mas uma das maiores novidades acabou por ser a presença de um dos jogadores que alinhou frente aos escoceses: Matic. O sérvio recuperou de lesão, reocupando o seu lugar no meio-campo.

À sua frente, duas outras surpresas. Carlos Martins, no lugar de Enzo Pérez, atrás da dupla de avançados, e Rodrigo a render Lima, ao lado de Cardozo. À titularidade no lado direito da defesa regressou o uruguaio Maxi Pereira, também recuperado de uma lesão, que o afastara das partidas frente ao Rio Ave e Moreirense.

Com sete jogadores lesionados e um castigado, o Olhanense veio a Lisboa com apenas 17 unidades. Uma contingência que obrigou a muitas adaptações na formação inicial, apresentada por Sérgio Conceição. Habitualmente frágeis em termos defensivos esta temporada, os algarvios apresentaram-se particularmente permeáveis na Luz.

O resultado foi uma equipa concentrada no sector mais recuado, ao contrário das promessas do seu treinador, na véspera, com muita dificuldade de se estender no terreno. Sem cerimónias, os “encarnados” aceitaram o convite e instalaram-se na área adversária mal ouviram o apito inicial do árbitro. Logo aos 2’ criaram duas boas oportunidades, com Salvio a obrigar a uma defesa para canto de Bracali e Matic a cabecear por cima no instante seguinte.

Dois avisos que reforçaram ainda mais a obstinação defensiva do Olhanense. Mas a quantidade de jogadores algarvios perto da sua baliza nunca foi sinónimo de qualidade, com a equipa a evidenciar muitas dificuldades de posicionamento, que resultavam em constantes calafrios. Valeu também algum desnorte atacante da equipa da casa para os estragos irem sendo adiados.

Aos 18’ ainda se gritou golo na Luz, mas o remate de Ola John encontrou o lado de fora da baliza de Bracali. Inconformado com a falta de pontaria do Benfica, Vasco Fernandes resolveu “ajudar” o adversário, com uma falta infantil na área, aos 25’. Na sequência de um lançamento, agarrou no colarinho de Maxi Pereira na área e deixou a decisão do golo para o castigo máximo. Cardozo, desta vez, não esteve com cerimónias, apontando o seu sétimo golo no campeonato. O lance do penálti poderá, no entanto, ter sido precedido de uma falta sobre Djaniny, o homem mais avançado do Olhanense na Luz.

Até ao intervalo, a equipa de Olhão esboçou uma ténue tentativa de reacção, que não passou disso mesmo, mas, mesmo assim, sempre com o credo na boca junto da sua baliza. O ataque do Benfica ajudou a tarefa dos algarvios, que mantiveram a desvantagem mínima, deixando tudo em aberto para a segunda metade.

Sem qualquer remate antes do intervalo, a equipa de Sérgio Conceição voltou dos balneários determinada a contrariar a estatística. Aos 48’, um livre estudado resultou num grande pontapé de David Silva, travado por uma boa defesa de Artur, finalmente chamado à partida. Mais afoitos e agressivos, os homens de Olhão conseguiram libertar-se dos grilhões defensivos e subiram no terreno. Em sentido contrário, os “encarnados” perderam intensidade e permitiram o Olhanense sonhar… até aos 72’.

Após uma primeira ameaça aos 59’, com vários remates falhados e uma grande defesa de Bracali, o golo surgiria mesmo. Primeiro, Jesus retirou as folgas a Lima e Enzo Pérez — que renderam Rodrigo e Carlos Martins (67’) —, com o médio argentino a cobrar o canto que permitiu a Luisão, de cabeça, matar o encontro. Depois, foi somar as oportunidades falhadas da equipa da casa.