Palestiniano morto por disparos israelitas na fronteira com Gaza

É primeiro incidente desde a entrada do cessar-fogo entre Israel e o Hamas. Grupo de agricultores tinha entrado na zona tampão que separa os dois territórios.

Foto
O incidente quebra 36 horas de uma acalmia total na região Marco Longari/AFP

Segundo a Al-Jazira, um grupo de agricultores de uma aldeia próxima de Khan Younis terá entrado na zona tampão (uma faixa com 300 metros de largura que se estende ao longo de toda a fronteira), alegadamente para verificar culturas. O Exército israelita proíbe a entrada de qualquer pessoa na zona, reservando-se o direito de disparar sobre infractores, mas a televisão árabe admite que os agricultores possam ter interpretado mal as informações surgidas após o acordo de cessar-fogo sobre a promessa israelita de levantar algumas das restrições à passagem de pessoas e bens pela fronteira.

Segundo a AFP, a vítima mortal dos disparos é um homem de 21 anos, residente na aldeia de Khouzaa. A BBC adianta que outras dez pessoas foram atingidas pelos disparos dos soldados estacionados junto à fronteira, a maior parte das quais seriam adolescentes.

O incidente quebra 36 horas de uma acalmia total na região, após oito dias de bombardeamentos israelitas contra Gaza (que fizeram 158 mortos) e de disparos do Hamas contra Israel (vitimando cinco israelitas).

O acordo de cessar-fogo, mediado pelo Presidente egípcio, Mohamed Morsi, previa que após 24 horas de acalmia tivessem início negociações para aliviar o bloqueio imposto a Gaza desde que o Hamas tomou o poder no território, em 2007. Esta era a principal reivindicação do movimento islamista que, na quinta-feira, ordenou a todas as facções armadas activas em Gaza que respeitassem o cessar-fogo.

Pouco antes deste incidente, Israel anunciou a detenção de vários suspeitos de envolvimento no ataque à bomba contra um autocarro em Telavive. A explosão, que feriu 29 pessoas, três das quais com gravidade, aconteceu horas antes do acordo de cessar-fogo e chegou a temer-se que Israel pudesse retaliar invadindo Gaza. Um dos detidos, suspeito de ter colocado a bomba no autocarro, foi identificado como sendo membro do Hamas.