A Ilha Sandy fica perto da Austrália, mas não existe

“Deve ser um erro propagado por vários mapas", diz um grupo de investigadores australianos

A ilha aparece em mapas científicos pelo menos desde o ano 2000
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A ilha aparece em mapas científicos pelo menos desde o ano 2000 Google Earth
Mais de perto, vê-se que o suposto pedaço de terra está assinalado como uma mancha negra
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Mais de perto, vê-se que o suposto pedaço de terra está assinalado como uma mancha negra Google Earth

Se estava a pensar em passar férias na Ilha Sandy, ali no Pacífico, a meio caminho entre a Austrália e a Nova Caledónia, chegou a hora de mudar de planos. O pedaço de terra aparece em vários mapas científicos e cartas náuticas, mas um grupo de investigadores da Universidade de Sydney descobriu agora que a Ilha Sandy simplesmente não existe.

A equipa estava a realizar uma pesquisa no Mar de Coral quando deu conta de uma discrepância entre o que estava assinalado no seu mapa científico e o que indicava a carta náutica do navio.

“Reparámos que o nosso mapa mostrava a existência de uma ilha naquela localização, mas a carta náutica do navio indicava-nos uma profundidade de 1400 metros”, disse à BBC a investigadora Maria Seton.

Apesar da surpresa, não há razões para começar a pesquisar na Wikipédia sobre fenómenos paranormais ou teorias da conspiração: o mais provável é que tudo não passe de um erro humano. “Deve ser um erro propagado por vários mapas. Estamos a falar de uma profundidade de 1400 metros, por isso não é possível que tenham ocorrido alterações durante o nosso tempo. Estamos a falar de processos que precisariam de dezenas ou centenas de milhões de anos para causarem este tipo de alterações”, explicou a cientista.

“Algumas publicações científicas incluem esta ilha nos seus mapas desde o ano 2000, mas ainda não sabemos como é que este erro se propagou”, disse Maria Seton.

Uma pesquisa por Sandy Island no Google Earth, por exemplo, mostra apenas uma mancha negra, sem nenhuma indicação de terra nem qualquer sinal de relevo, o que torna ainda mais provável que tudo não tenha passado de um erro. “Não sei como é que isto apareceu no Google Earth, mas talvez eles tenham usado a base de dados global das áreas costeiras e tenham assumido que devia haver ali um pedaço de terra. Depois, quando viram as imagens de satélite, repararam que de facto não havia nenhum pedaço de terra e por isso talvez tenham pintado a área de negro.”

Ouvido pela BBC, um porta-voz do Serviço Hidrográfico da Austrália também alinhou pela tese do erro humano. Para o responsável, apesar de alguns mapas conterem pequenos erros deliberados para detectar violações de direitos de autor, esta estratégia não é comum nas cartas náuticas.

Depois de terem detectado a discrepância de dados, os investigadores da Universidade de Sydney pediram ao comandante do navio para alterar a rota e passar pela suposta ilha. O resultado foi a prova de que será impossível passar férias na Ilha Sandy, entre a Austrália e a Nova Caledónia, pelo menos nas próximas dezenas ou centenas de milhões de anos. A única forma de ficar a conhecer um pouco melhor a ilha que não existe é passar pela Wikipédia.
 

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