Crónica de jogo

Um bom treino para o FC Porto antes da difícil viagem a Braga

Os "dragões" não precisaram de acelerar muito para conseguirem uma vitória tranquila sobre o Dínamo Zagreb. Lucho, João Moutinho e Varela foram os autores dos golos

Lucho marcou o primeiro golo dos portistas
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Lucho marcou o primeiro golo dos portistas Fernando Veludo/AFP

A vitória do PSG em Kiev adiou a decisão da atribuição do primeiro lugar do Grupo A da Liga dos Campeões para a última jornada, em Paris, mas o FC Porto vai ao Parque dos Príncipes, dentro de duas semanas, a precisar apenas de um empate para garantir um “objectivo fundamental”. Nesta quarta-feira, no Estádio do Dragão, os portistas receberam o modesto Dínamo Zagreb e não precisaram de muita aplicação para conseguir os três pontos. Lucho, Moutinho e Varela marcaram os golos da quarta vitória (3-0) “azul e branca” esta época, na Champions.

A qualificação para os oitavos-de-final ficou garantida há três semanas, em Kiev, e a apenas quatro dias de distância estava uma difícil deslocação a Braga para o campeonato, mas Vítor Pereira tinha prometido defrontar o Dínamo Zagreb “com a guarda bem alta”. O pouco prestigiante trajecto dos croatas na prova — somavam por derrotas os últimos 10 jogos disputados antes do embate no Dragão — não fez o treinador portista cair “no canto da sereia” e, por isso, não houve direito a folga extra para os pesos-pesados “azuis e brancos”.

Como “o objectivo fundamental é o primeiro lugar”, Vítor Pereira não facilitou e colocou em campo o mesmo “onze” que jogou em Kiev, na jornada anterior. Apesar de Alex Sandro e Fernando estarem de regresso, Mangala manteve-se na esquerda e Defour continuou a ser o dono da posição 6. Atsu, o “homem do jogo” contra o Nacional, não foi recompensado e teve de contentar-se com um lugar no banco.

Com o saldo a zero em pontos e golos marcados, o Dínamo assumiu que o “favoritismo absoluto” era dos “dragões”, mas como “nem sempre sai vencedor quem é melhor no papel”, Ante Cacic tinha esperanças em conseguir “surpreender no contra-ataque”. Sem Rukavina, o treinador montou a equipa em 4x5x1, entregou as despesas ofensivas ao croato-brasileiro Sammir e ficou à espera de um brinde (golo) ou do jackpot (ponto).

O currículo dos croatas augurava uma noite tranquila para o FC Porto e os primeiros minutos no Dragão foram disputados em rotações baixas. Sem carregar no acelerador, Jackson cabeceou com perigo (5’), mas seria Sammir a dispor da primeira grande oportunidade: aos 13’, o avançado encontrou uma auto-estrada no lado esquerdo portista, entrou na área e rematou ao poste.

Os “dragões” reagiram ao perigo de imediato, com um remate de Moutinho de fora da área (14’), e o golo apareceu pouco depois. Aos 20’, Moutinho levantou a bola sobre dois adversários, tabelou com Jackson e colocou no centro da área, onde Lucho, de pé esquerdo, atirou para o fundo da baliza. Sem qualquer reacção dos croatas à desvantagem, os portistas baixaram ainda mais o ritmo, começaram a pressionar menos e o Dínamo, por demérito portista, foi subindo no terreno. O resultado do desleixo “azul e branco” foram dois enormes calafrios, aos 39’ e 40’, sempre com Beqiraj como protagonista.

Após o intervalo, a atitude do FC Porto mudou ligeiramente. Com uma atitude mais autoritária, os portistas empurraram os croatas para trás e Helton passou a ser mais um espectador. A vantagem era curta, mas o jogo estava controlado e Vítor Pereira, aos 66’, colocou Alex Sandro e Fernando em campo. No minuto seguinte, Moutinho fez o 2-0, na marcação irrepreensível de um livre directo.

Ponto final nas dúvidas sobre o vencedor, mas ainda faltavam 23 minutos para acabar o “treino”. E o melhor ainda estava para vir: aos 86’, na melhor jogada da partida, Moutinho isolou de calcanhar Varela e o extremo fez o terceiro. Tudo simples, tudo demasiado fácil para o FC Porto perante um Dínamo que continua a merecer o zero.