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Além dos padrões geométricos, há edições especiais de ilustradores DR
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Os cadernos Beija-flor são feitos em três tamanhos diferentes Fred Gomes

Beija-flor, novos cadernos cosidos à mão como antigamente

Raquel e Susana já perderam a conta ao número de pequenos cadernos que fizeram no último ano. Entre padrões geométricos e especiais de ilustração, os objectos já são exportados para o Brasil

Ao contrário de muitas pessoas, Raquel Graça e Susana Gomes ficaram tristes quando terminaram o curso de Design na Universidade de Aveiro. “O fim do curso é mau porque deixamos de fazer projectos de que gostamos”, explicam ao P3 as duas amigas. Por isso juntaram-se novamente e criaram o Beija-flor, uma linha de cadernos de papel reciclado feitos à mão.

Raquel e Susana são da mesma terra (Oliveira de Azeméis), estudaram na mesma escola secundária mas só se conheceram na Universidade de Aveiro, onde descobriram que gostavam de trabalhar juntas. Susana trabalha num gabinete de design em Matosinhos. Raquel despediu-se há um ano de uma empresa onde não fazia o trabalho que mais gostava e abraçou a “carreira” de freelancer no Porto (integra, também, um outro projecto, a Maçã de Adão).

Foi precisamente nessa altura que nasceu o Beija-flor, na cozinha da casa que as duas partilhavam. Funciona como escape para as obrigações profissionais do dia-a-dia que, por vezes, não preenchem por completo o desejo de criatividade destas duas jovens.

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Raquel e Susana criaram o Beija-flor há um ano, como forma de fugirem à rotina do trabalho Susana Silva

Os cadernos, de três tamanhos diferentes, custam entre 1,5 euros e 4 euros. “Um dos princípios que definimos logo ao início foi que não queríamos que fossem muito caros para que as pessoas voltem a comprar e queiram coleccionar”, justifica Susana.

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Até agora, a quantidade de clientes do Brasil que compram os cadernos tem surpreendido as duas jovens DR

Colecções especiais

E, um ano depois, há quem coleccione e esteja sempre à espera de novos padrões. Os geométricos, inspirados em azulejos portugueses, são os que têm mais sucesso, principalmente entre estrangeiros. O Brasil é o país para onde mais vendem, muitas vezes encomendas de dezenas de pequenos cadernos.

“Claro que sempre quisemos que as pessoas gostassem do nosso trabalho, mas nunca pensamos que agora as coisas estivessem a correr tão bem”, admite Raquel, de 28 anos. Já perderam a conta a quantos cadernos fizeram, mas são certamente algumas centenas, entre elas edições personalizadas a pedido dos clientes.

Diz Susana, de 25 anos, que cada caderno, quando feito em série, lhes custa uns cinco minutos, mais ou menos. As duas designers estão cada vez mais rápidas na confecção destes pequenos objectos e ocupam a casa uma da outra, à vez, para instalar a oficina itinerante do Beija-flor. Quando participam em feiras e mercados, ocupam os tempos mortos, precisamente, a produzir edições ao vivo, entre elas algumas de ilustradores.

Os cadernos Beija-flor e as molas de madeira, também com padrões, vendem-se online e em algumas lojas do Porto, como a Entre Linhas e a Bling Bling, ambas no quarteirão de Miguel Bombarda, no Porto. Por agora, Raquel e Susana “não têm interesse em transformar a marca numa empresa”, no sentido tradicional da palavra. “De umas encomendas ganhamos para outras.”