Blogue dos Precários Inflexíveis bloqueado desde quarta-feira

Quem consultar o blogue dos Precários Inflexíveis depara-se com esta mensagem
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Quem consultar o blogue dos Precários Inflexíveis depara-se com esta mensagem DR

O blogue dos Precários Inflexíveis (PI) foi bloqueado esta quarta-feira devido a uma denúncia de uma empresa do grupo BF anunciaram os PI no seu facebook.

Há uns dias os Precários Inflexíveis receberam um e-mail de representantes do grupo BF onde lhes era dito que tinham conteúdo difamatório no seu blogue e que incorreriam judicialmente contra o movimento caso este não retirasse do blogue os conteúdos considerados difamatórios pelo grupo BF, explica em conversa telefónica ao PÚBLICO Tiago Gillot, dos Precários Inflexíveis.

Quando o blogue foi cancelado, a Blogger, serviço de publicações de blogues do Google, notificou os Precários Inflexíveis, informando-os da denúncia feita pelo grupo BF, esclarece Tiago Gillot.

De acordo com a mensagem deixada pelos PI no facebook, esse conteúdo difamatório está relacionado com um testemunho de um trabalhador que acusa o grupo BF de "trabalho ilegal e fuga ao fisco".

Tiago Gillot explica que os Precários Inflexíveis desvalorizaram o e-mail do grupo BF: “Não funcionamos por ameaças. Analisámos a situação e achámos que não tínhamos nada a modificar”.

Por isso mesmo, os membros do movimento ficaram “completamente surpreendidos" ontem, em dia de greve geral, enquanto acompanhavam, no blogue, a greve minuto a minuto”, diz Tiago Gillot.

“Isto aproxima-nos do caso da Axes Marketing” [empresa de marketing que alegou que os comentários feitos no blogue dos PI difamavam a empresa e exigiu que fossem apagados mais de 350 comentários da página do movimento. Em primeira instância o tribunal decidiu a favor da Axes Marketing, mas os Precários Inflexíveis recorreram e o Tribunal da Relação de Lisboa deu-lhes razão], afirma Tiago Gillot.

Tiago Gillot diz que a “vertigem censória” do caso Axes Marketing “contagiou outras empresas” e considera que “se calhar a BF entusiasmou-se”.

No site do grupo BF pode ler-se que o grupo se dedica à “venda directa e à prestação de serviços de outsourcing de força de vendas em áreas como as telecomunicações, energia, segurança e serviços financeiros.

“Talvez a Blogger tenha agido de forma defensiva, com medo de represálias da BF. Mas nós não temos tanto medo. Não vamos ceder”, garante Tiago Gillot, que explicou que os Precários vão “lutar pelo seu blogue”.

Quando questionado sobre a hipótese de os Precários Inflexíveis passarem a ter um alojamento próprio na internet, Tiago Gillot respondeu que “o que está em causa é saber se há liberdade de expressão na internet nos tempos que correm. O que quer dizer alojamento próprio? Qual é a segurança disso?” e deixou uma mensagem ao grupo BF: “têm muito mais prestígio a perder ao tentar censurar conteúdos dos cidadãos na internet do que se aceitarem as regras de liberdade de expressão às quais todos nos sujeitamos”.

O PÚBLICO tentou obter confirmação junto do grupo BF relativamente à eventual denúncia feita pelo grupo, mas não obteve resposta, tendo-lhe sido sugerido que tentasse obter comentários noutra altura.

O PÚBLICO contactou ainda Rui Carvalho, fonte oficial do Google em Portugal, que disse não ter conhecimento desta situação. Rui Carvalho acrescentou que o Google não comenta casos particulares e enviou uma mensagem genérica.

"O Blogger é uma plataforma que promove a liberdade de expressão e as nossas políticas servem este propósito. Sempre que algum conteúdo é assinalado por utilizadores, procedemos à análise desse blogue e procedemos de acordo com as nossas políticas. Acreditamos que esta é a melhor solução para dar uma experiência online segura aos utilizadores de todas as idades e ser a plataforma de criatividade e de liberdade de expressão pessoal que têm caracterizado o Blogger e os seus utilizadores", lê-se no comunicado enviado ao PÚBLICO.