CGTP tentou uma greve de propostas mas recebeu um dia de protestos

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Segundo Arménio Carlos, a greve de ontem foi "uma das maiores greves gerais de sempre realizadas em Portugal" Miguel Manso

Paralisação fez-se sentir sobretudo no sector público, com o encerramento de escolas e de serviços de saúde. Centenas de comboios foram suprimidos e mais de 200 voos cancelados. Apesar da desmarcação de Arménio Carlos, o dia terminou com confrontos entre polícia e manifestantes junto ao Parlamento

Quando chegou à cabeça da manifestação que seguia para São Bento, já na Rua do Carmo, Arménio Carlos desfraldou a faixa com que a comissão executiva da CGTP fez todo o percurso. Do slogan estava ausente a palavra "não". Apenas se lia: "Por um Portugal com futuro/ Contra a exploração e o empobrecimento."

A estratégia da CGTP para esta greve estava definida há muito. E o secretário-geral, Arménio Carlos, não se cansou de repetir a mensagem, desde logo no primeiro balanço feito à hora de almoço na sede da intersindical. "Esta não foi só uma greve geral de protesto, foi uma greve de propostas", anunciava o sindicalista.

Mas a rua acabaria por contrariar a CGTP. Quando os sindicalistas regressaram ao palácio da Rua Vítor Cordon, no Chiado, aquilo a que se assistiu em frente ao Parlamento foi uma violenta e azeda acção de protesto contra o Governo pelos que ali se deixaram ficar. E que se vinha já adivinhando desde que a manifestação saíra do Rossio (ver página 4). Perante os incidentes, o líder da Intersindical pouco mais pôde fazer do que demarcar-se. "Lamentamos profundamente aquilo que se está a passar", repetiu por mais de uma vez Arménio Carlos aos jornalistas que lhe solicitavam uma reacção aos distúrbios.

Não era a marca que a CGTP pretendia deixar com a paralisação. A estratégia da "greve de propostas" fora repetida à exaustão por Arménio Carlos. Ao longo do dia (no primeiro balanço, no discurso em frente à Assembleia e no último balanço) insistiu nas duas propostas que apresentou como novas iniciativas sindicais.

A primeira era o manifesto a apresentar oportunamente "para justificar o princípio da necessidade de defender as funções sociais do Estado". A segunda era o estudo sobre as "matérias inconstitucionais" que a CGTP acredita existirem no Orçamento do Estado para 2013. O documento será entregue ao Presidente da República em audiência já solicitada. Combater o Governo, portanto, no terreno do "caminho" a seguir pelo país.

A isto juntaria a medida do sucesso da "jornada de luta", recorrendo à encriptada expressão "uma das maiores greves gerais de sempre realizadas em Portugal". E que levou mesmo Arménio Carlos a tomar balanço para exigir a queda do Governo. Referindo-se à passagem do primeiro-ministro por uma fábrica cercado por um batalhão de seguranças, definiu-o como "uma pessoa com medo dos portugueses". Mas que não necessitaria de ter medo, caso fosse capaz de "reconhecer os seus erros, pedir desculpa", e, tendo dignidade, "abandonar o cargo para dar lugar a outro" após eleições.

Horas antes, o primeiro-ministro optara por "assinalar a coragem de todos aqueles que trabalham no dia de hoje e dos que, não tendo trabalho, fazem por ter trabalho. Pretendia assim "elogiar todos aqueles que, gostem ou não do Governo, ajudam a acrescentar valor ao país".

Por seu turno, a resposta do Presidente da República, Cavaco Silva, à greve foi dizer que não a fez. "Da minha parte não deixei de trabalhar, reunindo com o senhor Presidente da República da Colômbia e fazendo o possível para com o fortalecimento das relações entre os dois países contribuir para que, no futuro, o crescimento do produto seja mais elevado e que o desemprego seja menor do que aquilo que o INE hoje anunciou", disse Cavaco em Belém.

Um país a meio gás

A adesão à greve fez-se sentir sobretudo, e como já é hábito, nos serviços públicos e no sector dos transportes. A maioria dos sindicalistas garantiu ter h