Obama elogia general Petraeus e não confirma John Allen no comando da NATO

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O jornalista da Associated Press fez a primeir apergunta, sobre os generais AFP

Uma conferência de imprensa com uma mancha, é como se pode classificar a primeiro encontro de Barack Obama com a imprensa depois de ter sido reeleito Presidente dos Estados Unidos. “O melhor que todos nós temos a fazer é esperar para ver como tudo vai correr”, disse o Presidente ontem, referindo-se à “mancha”.

Obama ganhou as presidenciais no dia 6 de Novembro, uma terça-feira, e na sexta o director da CIA, o general David Petraeus, demitiu-se por ter cometido adultério. Estavam os americanos ainda espantados com a notícia — o país tem uma cultura de heróis e o general que esteve no Iraque e no Afeganistão estava nesse panteão —, e eis que a confirmação do general John Allen como próximo comandante da NATO é suspensa. Foi apanhado na teia do adultério de Petraeus.

 Obama sabia que lhe iam fazer perguntas sobre o tema na conferência de imprensa na Casa Branca. Talvez soubesse mesmo que depois do seu interlúdio sobre a economia, a pergunta sobre os generais seria a primeira. Respondeu que, neste momento, não sabe se o adultério do general Petraeus pôs em causa a segurança nacional, e esta é a questão principal que o FBI (a polícia de investigação federal), está a tentar perceber. “Não tenho provas, de momento, de que tenha sido revelada informação classificada ou que possa ter impacte [na segurança nacional]”.

 Fez, porém, questão de sublinhar que Petraeus teve uma “carreira extraordinária” como militar, antes de passar à reserva para se tornar o director da CIA. O Presidente desejou que o general possa resolver da melhor forma “este assunto” com a sua família.

 Como disse Obama, os pormenores — e a importância — de todo o caso ainda estão por apurar. Mas há detalhes que vão aparecendo nos jornais. Petraeus manteve uma relação extraconjugal com mulher que escreveu a sua biografia, Paula Broadwell, major do Exército na reserva. Na casa onde a mulher vive com o marido e os filhos, o FBI encontrou entre 20 e 30 mil documentos que está a analisar de forma a determinar se há, entre eles, informação confidencial. Terá que avaliar bem a informação, percebendo o que foi parar às mãos de Paula Broadwell para que pudesse escrever a biografia do general e, como diziam analistas militares à CBS, terá que levar em conta que podem existir documentos relacionados com a vida do biografado que já estiveram classificados mas que, hoje, não têm qualquer importância.

 Caso se conclua que não há danos na segurança nacional, Petraeus e a antiga namorada ficam apenas com as carreiras destruídas e a vida pessoal ferida. Se o FBI concluir que há matéria criminal, será aberto um processo judicial e poderão ser julgados. John Allen, que ainda está no activo, esse pode ser levado perante um tribunal militar.

 O general que deveria ser confirmado nos próximos dias como novo comandante da NATO trocou emails “namoradeiros” com outra mulher, Jill Kelley, que por sua vez terá recebido correspondência electrónica de Broadwell ameaçando-a, caso se aproximasse de Petraeus.

Ontem, o secretário da Defesa, Leon Panetta, pronunciou-se a favor de Allen, mas considerou que a suspensão da nomeação é uma medida adequada até se “saber a verdade”. Obama, esse não mencionou Allen, nem quando um jornalista voltou ao assunto na conferência de imprensa. Alguns jornais de Washington avançavam que o Presidente está disposto a salvar John Allen, mas Obama manteve-se fiel ao guião: “O FBI tem pela frente um trabalho difícil, mas confio neles e o melhor é esperarmos”.

 

Ainda não há nomes do novo Governo

 Há várias semanas que os jornalistas americanos presisonavam a Casa Branca para que Obama voltasse às conferências de imprensa — não havia uma há oito meses. Após a reeleição, a pressão aumentou até porque são muitas as especulações sobre quem integrará o novo Governo. O Presidente, que toma posse em Janeiro de 2013, não terá ao seu lado alguns dos actuais ministros. Hillary Clinton, secretária de Estado, disse que só ficaria no primeiro mandato.

 Obama não disse quem entrará para o lugar que Clinton deixa vago. Mas foi instado a comentar as notícias que dão como certa Susan Rice, a embaixadora dos EUA nas Nações Unidas, envolvida numa polémica devido ao ataque contra a representação diplomática americana em Bengazi, na Líbia.

 O Presidente defendeu-a, dizendo que não pode ser acusada por ter transmitido informações em segunda mão; as suas declarações — sobre a possibilidade de se ter tratado de um protesto que correu mal e não um atentado terrorista, como foi e morreram quatro pessoas, entre elas o embaixador dos EUA — basearam-se em relat]orios que recebeu e considerou correctos, disse Obama.

 Rice fez um "trabalho exemplar" na ONU, considerou o Presidente, que sublinhou não ter ainda nomes da sua nova equipa porque ainda não tomou decisões.