Jornada de luta na Europa: dezenas de detidos e balas de borracha em Espanha, comboios parados na Bélgica

Um grupo de pessoas bloqueou esta madrugada a entrada do Mercabarna, um mercado abastecedor em Barcelona
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Um grupo de pessoas bloqueou esta madrugada a entrada do Mercabarna, um mercado abastecedor em Barcelona Albert Gea/Reuters
Piquete de greve numa fábrica de vidro em Espanha
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Piquete de greve numa fábrica de vidro em Espanha Hugo Correia/Reuters
Um grupo de pessoas bloqueou esta madrugada a entrada do Mercabarna, um mercado abastecedor em Barcelona
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Um grupo de pessoas bloqueou esta madrugada a entrada do Mercabarna, um mercado abastecedor em Barcelona Albert Gea/Reuters

Já 82 pessoas foram detidas em Espanha durante a greve geral desta quarta-feira, e há 34 feridos, avança o jornal El País, com a polícia a recorrer a balas de borracha. Os sindicatos dizem que a greve está a atingir 78% de adesão.

Em Valência, por exemplo, foram detidas dez pessoas que faziam parte de um piquete de greve que cortava uma avenida. Na primeira greve geral deste ano, a 29 de Março, à mesma hora o número de detidos tinha chegado aos 58. A polícia tinha também registo de 13 feridos, cinco deles polícias.

Os sindicatos, citados pelo El País dizem que o protesto fez parar as grandes fábricas de automóveis da Nissan, da Opel e da Seat na Catalunha, bem como a da Volkswagen em Navarra. Mas a adesão, em geral, parece por agora ser ligeiramente menor do que na greve de Março.

Ainda assim, para o Ministério do Interior este é um dia de “normalidade” e de “cumprimento dos serviços mínimos”. “O Governo está a garantir os direitos dos que querem fazer greve e dos que não querem”, disse a directora-geral da política interior, Cristina Díaz, numa conferência de imprensa.

A UGT e as Comissiones Obreras, as grandes centrais sindicais espanholas, falam numa adesão “maciça” à greve durante a madrugada desta quarta-feira (entre 82% e 90%). A indústria siderúrgica, química, automóvel e da construção são as que estão a ser mais afectadas. Mas, ainda segundo o El País, os indicadores de consumo eléctrico reflectem uma adesão mais baixa do que à greve de 29 de Março e até que a de 29 de Setembro de 2010.

Em Madrid, os serviços mínimos dos transportes públicos estão a ser cumpridos, com 25% a 40% dos trajectos a serem cumpridos. Mas os autocarros são escoltados pela polícia.

A normalidade foi no entanto quebrada com os confrontos na praça Cibeles, em Madrid, em que confrontos fizeram 15 feridos, entre eles seis agentes da polícia, ainda segundo o El País. Testemunhas citadas pela Reuters falam mesmo no uso de balas de borracha pela polícia.

Acções noutros países

Mas a greve geral alarga-se a outros países europeus, não é apenas ibérica - há acções em 23 países, embora apenas Portugal e Espanha tenham uma greve geral.


Os comboios de alta velocidade Thalys, que ligam Bélgica, França, a Holanda e a Alemanha foram afectados. As ligações com a Alemanha já tinham sido suprimidas, mas os comboios entre a Bélgica e a França e a Holanda estiveram interrompidas esta manhã devido a acções sindicais, anunciou a empresa.

Na Grécia haverá uma greve de três horas a partir do meio dia local (10h00 de Lisboa) e manifestações. Em Itália haverá uma paragem de quatro horas, em França não há greves mas manifestações à tarde, convocadas por várias forças de esquerda e sindicatos, enquanto em Londres haverá uma manifestação aanti-austeridade frente ao Parlamento ao fim do dia.

A Confederação de Sindicatos de Comércio da Europa disse que é a primeira vez que apelou a um dia de acção com acções simultâneas em quatro países. “Semeando a austeridade, estamos a colher recessão, pobreza crescente e ansiedade social”, disse a secretária-geral, Bernadette Segol, numa declaração divulgada online.

“Em alguns países, a exasperação das pessoas está a atingir um pico. Precisamos de soluções urgentes para que a economia volte a andar, não fique parada. Os líderes da Europa não fariam mal em ouvir a ira das pessoas que estão na rua”.

Notícia actualizada às 16h