ONU falhou no fim da guerra do Sri Lanka, quando morreram 40 mil pessoas

Pelo menos 40 mil pessoas terão morrido nos últimos cinco meses do conflito
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Pelo menos 40 mil pessoas terão morrido nos últimos cinco meses do conflito WarWithoutWitness.com/Reuters

As conclusões preliminares de uma investigação interna à actuação das Nações Unidas (ONU) nos últinos meses da guerra civil no Sri Lanka, em 2009, indicam que a organização falhou na protecção dos civis, ao não denunciar que a grande maioria das 40 mil pessoas que morreram nos cinco meses finais da guerra foram mortas pelas forças governamentais.

O documento, que ainda não foi tornado público e a que a BBC teve acesso, afirma que “os eventos no Sri Lanka marcam uma falha grave das Nações Unidas” e frisa que a organização deverá “ser capaz de ir ao encontro de padrões muito mais elevados no cumprimento das suas responsabilidades humanitárias e de protecção”.

Os funcionários seniores da ONU em Colombo, capital do Sri Lanka, estão entre os visados pela investigação, que os acusa de “não perceberem que a prevenção da morte de civis era responsabilidade sua”. Mas também os responsáveis na sede da organização são referidos no relatório, porque não terem dado indicações em contrário às equipas no país.

O Governo de Colombo reagiu ao relatório, dizendo ser absurdo que um pequeno país como o Sri Lanka pudesse pressionar as Nações Unidas. "Não houve intimidação. Nada desse género. Como poderíamos intimidá-los?", dsse Mahinda Samarasinghe, ministro das Plantações Agrícolas, citado pela AFP. Samarasinghe, que também é emissário do Sri Lanka no Conselho dos Direitos do Homem da ONU, recusou-se a comentar directamente o relatório preliminar,

A ONU disse à BBC que não comentaria versões preliminares do relatório, que será publicado quando estiver concluído,mas John Holmes, ex-chefe das missões humanitárias das Nações Unidas, criticou os resultados divulgados. "A ONU enfrentou alguns dilemas muito difíceis naquela altura", e pode ser criticada pelas decisões que tomou, dise. "Mas dizer que se nos tivéssemos comportado de forma diferente o Governo do Sri Lanka teria feito as coisas de outra forma acho que não se coaduna com o que era a realidade na altura".

Nos últimos meses da guerra, uns 330 mil civis da minoria tamil viram-se cercados no território que até então era controlado pelo grupo de guerrilha independista Tigres Tamil, face ao avanço do exército. E, à medida que os Tigres Tamil recuavam, forçaram os civis a recuar com eles - há mortes causadas pelos guerrilheiros também, execuções de pessoas que tentavam fugir pelos seus próprios meios e evitar serem recrutadas para lutar.

Mas de acordo com um anterior relatório de peritos da ONU, de 2011, a maior parte das mortes foi causada pelos bombardeamentos do exército. O Governo rejeitou as conclusões deste relatório.Os jornalistas foram excluídos da zona de combate e única organização internacional que permaneceu na áreados rebeldes tamil foi a Cruz Vermelha que, quatro dias após o fim da guerra, falou de "uma catástrofe humanitária inimaginável".

Os conflitos no Sri Lanka terminaram em Maio de 2009, após 26 anos de guerra civil, com a derrota dos rebeldes Tigres Tamil pelas forças governamentais. De acordo com estimativas da ONU, morreram pelo menos 100 mil pessoas nesta guerra, sendo que nos cinco meses finais morreram pelo menos 40 mil.

Notícia actualizada no dia 14 de Novembro