Comandante da NATO no Afeganistão investigado no caso Petraeus

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O escândalo que levou à demissão do general Petraeus pode afinal ir muito mais longe do que se julgava. Também John Allen pode estar implicado Thierry Charlier/AFP

A revelação, confirmada pela agência Reuters junto de um alto funcionário da Defesa, ameaça derrubar mais uma importante figura militar norte-americana. E sugere que o escândalo que envolve Petraeus – que ocupou o cargo de Allen no Afeganistão antes de ser substituído por ele – pode ir muito mais longe do que inicialmente se julgou.

A mesma fonte adiantou que o FBI descobriu entre 20 mil e 30 mil páginas de comunicações, na maioria emails, datados de 2010 a 2012, entre Allen e Jill Kelley, que foi identificada como amiga da família de Petraeus. Fazia trabalho voluntário organizando eventos sociais na base aérea de MacDill, em Tampa, na Florida, onde se situa o Comando central dos Estados Unidos que foi liderado por David Petraeus entre 2008 e 2010.

A investigação começou depois de Kelley se ter queixado de ameaças anónimas por email. O FBI descobriu que a remetente das mensagens era Paula Broadwell, ex-operacional dos serviços secretos militares e autora de uma biografia de David Petraeus, com quem o general mantinha um caso.

Petraeus demitiu-se do seu cargo de director da CIA na última sexta-feira. Num comunicado o secretário da Defesa, Leon Panetta, adianta que pediu que a nomeação de Allen para o novo cargo de líder do Comando Europeu, já prevista, fosse adiada enquanto decorre o inquérito.

Allen encontra-se em Washington, para participar na audiência de confirmação no Senado que estava marcada para quinta-feira.

O mesmo oficial da Defesa disse à Reuters que Allen nega qualquer transgressão e que Panetta, que lidera a investigação, optou por mantê-lo no seu cargo enquanto não há avanços no caso – e até que haja um substituto.

“Enquanto o assunto está a ser investigado e antes de os factos serem apurados, o general Allen continua a comandar a ISAF [força da NATO no Afeganistão]”, disse Panetta. Horas antes, o secretário da Defesa tinha dito que iria rever as recomendações de Allen para a futura presença dos EUA no Afeganistão, depois da retirada das tropas, prevista para 2014.

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