Isabel Jonet diz que foi mal interpretada

Presidente da Federação de Bancos Alimentares quis dizer que os portugueses adoptaram hábitos que não podem manter

Isabel Jonet não quer alimentar a polémica em torno das suas declarações à SIC. "Não vou falar mais nisso." Escreveu um texto, que sábado à noite foi publicado na página electrónica da Rádio Renascença, e diz que basta.

Tudo começou no passado dia 8, no programa Última Edição, na SIC Notícias. "Penso que muitas das críticas que me foram feitas, sobretudo nas redes sociais, foram por pessoas que nem ouviram o programa de televisão nem tudo o que eu disse, mas que interpretaram parcialmente o que foi sendo comentado, descontextualizando", escreveu.

A página do Facebook Isabel Jonet: Demita-se! tem 763 "gostos", mas a página Isabel Jonet, 20 anos a alimentar Portugal - obrigada, tem 2327. E a petição Pela Demissão soma 3224 assinaturas; mas a petição Para que a Dra. Isabel Jonet fique tem outras 3974.

Na sua crónica, que irá hoje para o ar na Rádio Sim, a presidente da Federação de Bancos Alimentares Contra a Fome, também presidente da Federação Europeia, esclarece: "[Não estava] a dizer que são os pobres que têm de se habituar à pobreza." Disse e diz: "Vivemos nos últimos anos muitas vezes acima das nossas reais possibilidades: tanto no que se refere às despesas públicas (auto-estradas, estádios de futebol, rotundas) como às despesas individuais de uma camada significativa da população. Adoptámos hábitos que não podemos manter."

Irá a tempo de corrigir o tiro? "Ela cometeu um grave erro", avalia Vasco Ribeiro, professor de Assessoria de Comunicação na Universidade do Porto. "Fez uma comunicação muito tardiamente" e isso "criou espaço", para a vaga de críticas que depressa se propagou nas redes sociais. Teria de falar logo. E teria de fazê-lo "com qualidade", isto é, obedecendo a critérios de "precisão, dinâmica e tranquilidade". Agora, resta-lhe tentar não prejudicar as campanhas de angariação de alimentos agendadas para 1 e 2 de Dezembro, "recuando para que a instituição intensifique a conunicação sobre a sua missão".