40% dos alunos desta escola de skate são raparigas DR
Foto
40% dos alunos desta escola de skate são raparigas DR

Skateistan: um skate para devolver crianças à escola

Desde 2007 que um grupo de voluntários ensina crianças afegãs a andar de skate. De aulas informais a uma academia, Skateistan ajuda, ainda, na alfabetização de crianças. Filme sobre o projecto é editado em DVD em Dezembro

Nas ruas de Cabul, no Afeganistão, há crianças que andam de skate, em grupos, durante horas. Algumas são autênticos talentos, outras vão aprendendo um novo desporto todos os dias. A culpa é da organização não-governamental Skateistan que, em 2009, criou o primeiro skatepark do país, com mais de 5400 metros quadrados.

Esta ideia de ensinar crianças afegãs a andar de skate começou em 2007, quando o australiano Oliver Percovich chegou a Cabul com a sua tábua e percebeu que o desporto despertava muita curiosidade nas ruas. Com a ajuda de outros voluntários estrangeiros, “Ollie” deu início à criação da primeira escola de skate do país, Skateistan.

As crianças foram chegando à escola pelo desporto e foram ficando pela oportunidade de uma outra educação. Inicialmente eram algumas dezenas por mês. Hoje chegam às 400 por semana.

PÚBLICO -
Foto
We build ramps, not bombs é o lema do Skateistan DR

Entre os 5 e os 18 anos, qualquer criança pode frequentar as aulas: mais de 50% dos alunos trabalham na rua e quase 40% são raparigas, um número impressionante num país que as proíbe, entre muitas outras coisas, de andar de bicicleta ou de subir muros.

PÚBLICO -
Foto
Mais de metade destas crianças trabalha na rua DR

Através do programa “Back to School”, estes meninos e meninas podem frequentar aulas de artes ou “workshops” de multimédia e, até agora, 40 crianças refugiadas puderam regressar à escola. Apesar de lhes serem ensinados outros desportos, o skate continua a ser o favorito, fica-se a saber no vídeo de apresentação do projecto.

Skateistan, o filme

Cinco anos depois da primeira aula informal de skate, Skateistan continua sedeada em Cabul mas transformou-se numa ONG internacional. Além das crianças do Afeganistão, também as do Cambodja e do Paquistão podem aceder a estes programas desportivos e educativos, “independentemente de etnias, religiões e contextos sociais”, garantem no site.

O sucesso desta iniciativa inspirou um documentário. “Skateistan — Four Wheels and a Board in Kabul”, que sai em DVD em Dezembro, aborda o movimento que invadiu pacificamente as ruas do Afeganistão. Filmado em 2009, acompanha o dia-a-dia dos fundadores e mostra as dificuldades que enfrentam.

Neste documentário, os espectadores ficam a saber que os voluntários tiveram de ensinar os rapazes a não empurrarem as raparigas da tábua do skate. Passar a mensagem de que elas têm tanto direito como eles a praticarem este desporto não foi fácil. Quebrar o ciclo de violência em que estas crianças se inserem é o principal objectivo do projecto: “We build ramps, not bombs.”