Samaras tenta tapar fissuras na coligação grega com ameaça de saída do euro

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Samaras na reunião com os deputados do Nova Democracia, em Atenas John Kolesidis/Reuters

Em causa está a votação no Parlamento grego, na quarta-feira, da lei-quadro que detalha as medidas de ajustamento orçamental e, no próximo domingo, do orçamento para 2013.

A aprovação do conjunto de cortes e reformas é uma condição exigida pelos credores internacionais – Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional – para entrar nos cofres do Estado grego uma tranche de 31,5 mil milhões de euros congelada desde Junho.

Antonis Samaras veio dramatizar um cenário de regresso à dracma, que, disse, só ficará afastado “definitivamente e de forma irrevogável” com a aprovação das medidas, segundo cita a AFP. “Temos de salvar o país da catástrofe (...) se falharmos a continuidade na zona euro nada fará sentido”, reforçou.

Samaras falava para o grupo parlamentar do seu partido, o Nova Democracia, em Atenas, mas a mensagem serviu de recado para os outros dois partidos do arco da coligação.

Ao longo das discussões em torno da natureza das medidas de austeridade exigidas pela troika, foram vários os pontos de divergência que tiveram de ser ultrapassados com os socialistas do PASOK e o Esquerda Democrática, que, com o Nova Democracia, formam a coligação.

Aos partidos, Samaras deixou um apelo claro, pedindo-lhes que sirvam “os supremos interesses da nação”.

Para a linha de austeridade ser aprovada tal como acordado com a troika, o Governo precisa de 151 votos. O número de deputados que suportam a maioria parlamentar do Governo é superior. Mas, segundo a imprensa grega, com a coligação partida, o Executivo poderá contar com uma maioria frágil – de 154 a 159 (em 300 assentos parlamentares).

O Esquerda Democrática, com 16 de deputados, informou que votará contra a lei-quadro, contestando as propostas de alterações à lei laboral, e, entre os socialistas, cinco deputados poderão também votar contra, escreve a AFP.

No entanto, de acordo com o jornal Kathimerini, responsáveis do Nova Democracia e do PASOK estavam convictos de que a coligação irá receber o apoio necessário tanto na quarta-feira como na votação de dia 11 de Novembro – um dia antes de uma reunião de ministros das Finanças dos 17 países da moeda única, em Bruxelas.