Futsal

Falcão esteve quase para não ir ao Mundial

Alessandro Rosa Vieira, conhecido como Falcão
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Alessandro Rosa Vieira, conhecido como Falcão Foto: DR

Falcão é nome de família, mas não está no bilhete de identidade. Alessandro Rosa Vieira herdou a alcunha do pai, que era parecido com Paulo Roberto Falcão, craque da selecção brasileira dos anos 70 e 80. E é por este nome que é conhecido aquele que é considerado um dos melhores jogadores de futsal de todos os tempos. Alessandro é Falcão, ala de 35 anos do Orlândia, da selecção brasileira e considerado pela FIFA como o melhor da actualidade. Mas ele esteve quase para não estar na Tailândia e tentar a renovação do título conquistado em 2008.

Foi só após o último treino antes da partida da “canarinha” para o continente asiático que Falcão soube que podia ir ao Mundial, tendo debelado uma lesão na coxa direita. Assim, na Tailândia, o veterano ala irá tentar bater dois recordes, o de jogador com mais jogos e mais golos em Mundiais. Ele que vai cumprir o seu quarto torneio. Antes do primeiro jogo (que será com o Japão), Falcão tem 25 jogos e 34 golos marcados e tem boas possibilidades de ultrapassar as marcas do recordista, o também brasileiro Manoel Tobias, que marcou 43 golos em 31 jogos.

De Falcão, Neymar, “estrela” do Santos, diz que ele é uma fonte de inspiração e que “teria totais chances de ser o melhor do mundo também actuando no futebol de campo”. “Tudo aquilo que faz com a bola em quadra a gente tenta fazer a mesma coisa”, disse o avançado brasileiro citado pelo jornal “Lance”. Falcão, aliás, até já teve uma breve experiência no futebol de 11, alinhando em 2005 pelo São Paulo. Mas o técnico da altura, Emerson Leão, não gostava muito dele e não o metia a jogar. “Acho que foi por birra dele, mesmo”, diz o jogador, que chegou a ser campeão paulista e vencedor da Taça Libertadores, mas que rejeitou um contrato de três anos com o clube para poder regressar ao futsal.

Falcão, paulista de nascimento, é um esquerdino com grande capacidade de remate e uma impressionante gama de recursos técnicos que lhe têm valido títulos e várias distinções. Mas houve tempos em que ele próprio tinha vergonha de dizer que era jogador de futsal - na altura em que conheceu a sua mulher, Tatiana Mendes, que contou a história ao “Globo”. “Quando o Falcão me conheceu, ele me disse que trabalhava com o pai, que tinha um açougue [talho]. Ele se apresentou como Sandro, já que se chama Alessandro. Provavelmente, tinha vergonha de dizer que jogava futsal e que eu não me interessasse por ele.”