Futebol

Francky Vercauteren vai mesmo ter de começar do zero

O Sporting voltou a não marcar golos
Foto
O Sporting voltou a não marcar golos Foto: Hugo Correia/Reuters

E pronto, foi a última exibição em Alvalade de “Ocean’s Eleven”, filme de fraca qualidade e que nunca acabou bem. Nesta segunda-feira, em Alvalade, o Sporting orientado por Oceano Cruz voltou a não conseguir vencer, ficando-se por um empate sem golos com a Académica de Coimbra.

O saldo do antigo capitão desde que ocupou o lugar de Ricardo Sá Pinto no banco “leonino”: três derrotas e um empate em quatro jogos, deixando a equipa fora da Taça, quase fora da Liga Europa e no décimo lugar da liga portuguesa, a dez pontos dos dois primeiros e a dois da linha de água. Nas bancadas, Francky Vercauteren, o senhor que se segue, terá ficado com a sensação que vai ter de começar do zero.

O que o técnico belga viu foi uma equipa que parecia estar a jogar junta pela primeira vez, sem saber o que fazer em nenhum aspecto do jogo, orientada por um interino que não deixou a sua marca nem melhorou o que quer que fosse em relação à gestão anterior. Nem um “flash” de criatividade, uma jogada individual de ruptura, um passe com critério para uma desmarcação intencional. Pelo contrário, passes que nunca encontravam bom destino, remates que nunca causavam perigo e a Académica, mesmo com mais de meia equipa nova em relação ao jogo da Liga Europa, era quem estava mais tranquila no jogo.

Oceano foi para lá de conservador a escolher a equipa. Havia, desde logo, um défice de criatividade naquele meio-campo, com Rinaudo, Schaars e Adrien, mais Pranjic a surgir pelo flanco esquerdo. Apenas Viola e Wolfswinkel eram jogadores marcadamente de ataque. Mas, se a ideia era defender com eficácia, objectivo também falhado. E, aos 20 minutos de jogo, já só se ouviam assobios. À formação de Coimbra, só lhe bastava posicionar-se bem, nem era preciso nenhum autocarro para travar as débeis tentativas atacantes dos “leões”, mas também, verdade seja dita, pouco contribuiu para elevar a qualidade do jogo acima do mau.

Entre os dois guarda-redes, quem teve mais trabalho foi mesmo Rui Patrício, o único do Sporting que vai mantendo um nível elevado. Foi ele o protagonista do momento do jogo, aos 60’, quando Marinho, que marcara o golo que derrotara o Sporting na final da Taça, lhe tentou fazer um “chapéu” após um passe errado de Gélson Fernandes. O guarda-redes da selecção compensou o seu adiantamento com uma defesa quase impossível.

Em desespero, Oceano foi lançando no jogo Izmailov e Betinho, o avançado que vem da equipa B, mas pouco mudou. Viola e Wolfswinkel foram os mais inconformados e o holandês esteve mesmo perto do golo aos 76’, com um remate a que o guardião academista Ricardo se opôs bem. O Sporting ainda reclamou um atraso de Júnior a Ricardo e tinha razão, mas não for por isso que não conseguiu bater ontem a Académica. Foi porque não mostrou nada que se recomende e, nesta altura do campeonato, mais de dois meses depois do primeiro jogo oficial (e um saldo de duas vitórias, seis empates e cinco derrotas em 13 jogos), é muito mau sinal. A Vercauteren, o presidente Godinho Lopes pediu uma classificação para o Sporting ir à Liga dos Campeões no próximo ano. Pelo que se viu ontem e pelo que se tem visto, parece um objectivo demasiado ambicioso.

POSITIVORui Patrício

No meio do desastre que é, actualmente, a equipa do Sporting, é o guarda-redes da selecção nacional quem vai evitando males maiores. Ontem, salvou um golo quase certo.


Meio-campo da Académica

A formação de Coimbra não foi muito ambiciosa no ataque, mas foi um exemplo de eficácia a preencher os espaços que lhe permitiu interromper sem grandes problemas os ataques desorganizados do Sporting. Cleyton foi o homem em maior destaque.


NEGATIVOSporting

Quase um mês depois da saída de Sá Pinto, o Sporting continua na mesma. Oceano falhou na recuperação anímica e resta saber o que Vercauteren vai conseguir fazer. Tem de fazer milagres, se quiser ir à Champions como lhe pediu Godinho Lopes (que ontem ouviu alguns adeptos, com muito vernáculo pelo meio, exigir que se demita).


Ficha de Jogo

Sporting, 0


Académica, 0


Jogo no Estádio José Alvalade, em Lisboa.
Assistência 25.056 espectadores


Sporting

Rui Patrício; Arias (Gelson, 46’), Boulahrouz (Betinho, 70’), Rojo, Insúa; Rinaudo, Schaars, Adrien (Izmailov, 59’), Pranjik, Viola, Wolfswinkel. Treinador Oceano.


Académica

Ricardo; Rodrigo Galo, Flávio, Júnior Lopes, Nivaldo; Keita, Makelele, Cleyton (Ogu, 90’+3’); Marinho, Afonso (Wilson Eduardo, 66’) e Salim Cissé. Treinador Pedro Emanuel.


Árbitro

Bruno Esteves (Setúbal)

Amarelos

Flávio (16’), Galo (34’), Adrien (44’), Rinaudo (73’), Pranjik (79’), Viola (81’), Wolfswinkel (88’), Júnior Lopes (89’), Izmailov (90’).

Notícia actualizada às 22h59