Crise

Troika quer novo perdão da dívida grega, desta vez para Estados credores

A medida já foi contestada pela Alemanha MAURIZIO GAMBARINI
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A medida já foi contestada pela Alemanha MAURIZIO GAMBARINI Foto: Maurizio Gambarini/AFP

A troika vai propor, num relatório sobre a Grécia a sair nos próximos dias, um novo perdão da dívida grega, desta vez para os credores institucionais, nomeadamente os países, noticia o semanário alemão Der Spiegel na sua edição deste domingo.

Segundo o semanário, esta é uma das propostas do relatório da troika (Banco Central Europeu, Fundo Monetário Internacional e Comissão Europeia) sobre os resultados da reunião preparatória que ocorreu na quinta-feira para preparar a próxima reunião de ministros das Finanças da Zona Euro.

Depois de no primeiro perdão terem participado os credores privados - sobretudo bancos - de forma voluntária, a proposta agora conhecida defende que, pela primeira vez, os Estados europeus credores de dívida soberana grega aceitem perder dinheiro dos seus contribuintes. A opção já foi contestada por uma série de países - a começar pela Alemanha - que se recusam a perder parte do dinheiro que emprestaram a Atenas como medida extraordinária de apoio.

O Der Spiegel não adianta qual a posição dos restantes países da Zona Euro, particularmente aqueles que já se encontram em dificuldades para cumprir os limites de endividamento impostos pela Comissão Europeia.

O próprio ministro alemão das Finanças, Wolfgang Schäuble, assegurou neste domingo, numa entrevista à rádio “Deutschlandfunk”, que é “irreal” pretender que os credores institucionais se juntem a um novo perdão. Afirmou que os estados europeus têm “as mãos atadas” pela legislação comunitária em matéria orçamental, já que não se pode dar mais dinheiro “a quem não cumpre as suas obrigações”. “É mais realista um programa de recompra de dívida, no qual a Grécia, mediante novos créditos, recompre obrigações antigas ao seu preço de mercado actual, ou seja, mais barato”, acrescentou.

Por seu lado, o Banco Central Europeu - que ainda acumula cerca de 40.000 milhões de euros em obrigações gregas - disse na reunião preparatória que não pode juntar-se a este perdão para credores institucionais porque os seus estatutos proíbem-no de financiar Estados. Em troca, oferece-se para renunciar aos benefícios que poderia obter com a dívida grega que possui, já que a adquiriu a um preço de mercado muito inferior ao nominal.

O relatório da troika defende ainda, segundo o semanário alemão, a concessão de mais dois anos à Grécia para cumprir os requisitos, algo que oficiosamente já se esperava em Bruxelas, Berlim e outras capitais europeias.

Não obstante, o texto coloca um preço nesse prolongamento: mais 30.000 milhões de euros segundo a Comissão Europeia e o Banco Central Europeu, e até 38.000 milhões segundo as estimativas do Fundo Monetário Internacional.