Crise do euro

BCE garante que ainda não há acordo para dar mais tempo à Grécia

Jörg Asmussen, do BCE, com Christine Lagarde, presidente do FMI
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Jörg Asmussen, do BCE, com Christine Lagarde, presidente do FMI Foto: Georges Gobet/AFP

O economista alemão Jörg Asmussen, membro da Comissão Executiva do Banco Central Europeu (BCE), desmentiu nesta quarta-feira um acordo que daria à Grécia mais dois anos para cumprir o programa de ajustamento financeiro. Em Atenas, entre os líderes da coligação de Governo ainda não há fumo branco sobre as reformas exigidas pela troika.

O jornal alemão Süddeutsche Zeitung noticia neste dia que o Governo grego conservador liderado por Antonis Samaras teria conseguido um prazo maior (de 2014 para 2016) para cumprir o programa de austeridade.

Jörg Asmussen, porém, garantiu ao canal público alemão ARD, não haver ainda um “acordo definitivo da troika com o Governo grego”, embora tenha reconhecido haver “progressos” nas negociações. Aceitar um adiamento, sustentou, significaria também mais dinheiro para a Grécia por parte dos parceiros europeus.

A flexibilização das metas do défice, com o adiamento dos prazos por dois anos, é uma reivindicação que o primeiro-ministro grego apresentou há meses à missão da troika em Atenas. O consenso tem-se revelado difícil. Em causa está o plano de cortes orçamentais, as reformas no mercado laboral e um programa de privatizações mais alargado.

Do lado da coligação governamental também ainda não há consenso. Uma nova ronda de negociações, na terça-feira, entre o primeiro-ministro (do partido Nova Democracia), Evangelos Venizelos (líder dos socialistas do PASOK) e Fotis Kouvelis (do Esquerda Democrática) terminou sem fumo branco. Mas a expectativa da Comissão Europeia, na semana passada, era a de que Atenas e os credores fechariam um acordo dentro de poucos dias, assim que os partidos do Governo grego se entendam.

Segundo o jornal Kathimerini, há um acordo de princípio em relação à natureza de medidas de austeridade no valor de 13,5 mil milhões de euros, mas as divergências entre os partidos ainda não foram ultrapassadas em relação àquilo que a troika define como reformas estruturais.