Museu do Neo-Realismo ultrapassa as 120 mil visitas em cinco anos

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As actuais instalações do Museu do Neo-Realisno foram inauguradas em Vila Franca de Xira em Outubro de 2007 RICARDO BRITO

Dois mil é o número de pessoas que, em média, visitam mensalmente o Museu do Neo-Realismo, inaugurado nas actuais instalações em 2007. Apesar de algumas críticas, os objectivos foram atingidos

Uma exposição sobre as relações entre o escritor brasileiro Jorge Amado e o neo-realismo português, um ciclo de cinema e uma sessão com o antigo jornalista e musicólogo Ruben de Carvalho marcam as comemorações do 5.º aniversário das novas instalações do Museu do Neo-Realismo, que decorrem até 3 de Novembro. A mostra sobre a obra de Jorge Amado foi inaugurada no sábado. O programa integra, ainda, um Concerto Aberto da Antena 2.

Nestes cinco anos de funcionamento num edifício construído de raiz no centro de Vila Franca de Xira, com projecto do arquitecto Alcino Soutinho, o Museu do Neo-Realismo já recebeu mais de 120 mil visitantes. O seu acervo integra os espólios literários e artísticos de mais de duas dezenas de figuras do neo-realismo português, entre eles os de Alves Redol, Manuel da Fonseca e Soeiro Pereira Gomes.

Fruto do trabalho de uma comissão instaladora criada na década de 80 do século passado, foi já nos anos 90 que o Museu do Neo-Realismo (MNR) começou a funcionar nas antigas instalações da biblioteca de Vila Franca. A Associação Promotora do Museu do Neo-Realismo, liderada por António Mota Redol, filho de Alves Redol, e o escritor Júlio Graça deram um forte impulso ao projecto e, já neste século, a Câmara de Vila Franca obteve apoios comunitários e do Estado português para construir um amplo imóvel de quatro pisos onde está instalado o museu desde 21 de Outubro de 2007.

"O Museu do Neo-Realismo não só alcançou como superou amplamente os seus objectivos essenciais. Não só consolidou a sua posição ao nível da recepção, preservação, investigação e divulgação do património cultural neo-realista, como conseguiu afirmar-se no plano museológico nacional", sustenta o seu director. David Santos destaca a "programação sistemática" desenvolvida pelos serviços do museu, com "um conjunto significativo de exposições reveladoras de novas e importantes perspectivas sobre o movimento neo-realista e o seu contexto artístico, político e social".

As comemorações do centenário do nascimento de Alves Redol deram, em 2011, foram um ponto alto da vida do museu e da cidade.

No entanto, o projecto e as verbas que envolve suscitam ainda alguma debate em Vila Franca. Por um lado, porque o MNR está situado fora dos grandes centros urbanos e dos principais circuitos culturais, por outro porque alguma população local defenderia um investimento prioritário num Museu da Tauromaquia.

A presidente da Câmara, Maria da Luz Rosinha, tem realçado a relação ímpar que o concelho tem com o movimento neo-realista, porque ali viveram e escreveram figuras como Alves Redol e Soeiro Pereira Gomes e o contributo que o MNR já deu para a afirmação da cidade no panorama cultural português.

"Eu diria que a população tem bastante orgulho no museu, mesmo se, por vezes, verificamos que a sua participação directa nas nossas iniciativas podia revelar outra dimensão. Porém, apesar de procurar atrair de um modo transversal o público de todo o país, o MNR nunca deixou de apresentar, através do seu serviço educativo, uma programação que aprofundasse o envolvimento da comunidade local e concelhia", defende David Santos.

De acordo com dados do MNR, desde Outubro de 2007 até final de 2011, o museu foi visitado por 70.322 estudantes no âmbito das iniciativas do seu serviço educativo e por outras 51.887 pessoas que visitaram exposições ou outros eventos.

O centro de documentação e a biblioteca do MNR receberam no mesmo período 746 leitores/investigadores interessados nas temáticas deste movimento artístico dos três primeiros quartéis do século XX.