Ana Moura: quando o fado faz pop

O lendário jazzman Herbie Hancock é um dos convidados de Desfado
Foto
O lendário jazzman Herbie Hancock é um dos convidados de Desfado

E ao quinto álbum Ana Moura promove uma revolução na sua música, chamando para junto de si, como grande convidado internacional, o lendário jazzman Herbie Hancock.

Hancock dedicou em 2007 um álbum a Joni Mitchell, River: The Joni Letters, vencedor de um Grammy para Melhor Álbum do Ano, co-produzido por Larry Klein, colaborador próximo e ex-marido da cantora - ao lado da qual se notabilizou. Foi precisamente nas mãos de Klein que ficou depositada a produção de Desfado, no Henson Recording Studio, em Los Angeles. E foi Klein a trazer o músico que integrou o quinteto de Miles Davis nos anos 60 e firmou definitivamente o seu cunho no jazz da década seguinte graças a escaldantes pianos eléctricos com um balanço vindo do funk. Hancock deixou assim o som do seu Fender Rhodes plasmado em Dream of Fire, um dos temas em língua inglesa - composição repartida entre a fadista e um incógnito amigo americano - incluídos em Desfado. De Joni Mitchell, Ana Moura canta, neste álbum, A case of you.

Com lançamento marcado para 12 de Novembro, Desfado troca naturalmente as voltas ao fado e vai buscar o seu título a um dos dois temas compostos por Pedro da Silva Martins, dos Deolinda, para Ana Moura. A aposta, aliás, é a de entregar a sua voz a temas expressamente criados para si por autores da mesma geração mas exteriores ao fado: Virgem Suta, Miguel Araújo, Luísa Sobral e Manel Cruz são outros dos participantes. O single de avanço, Até ao Verão, coube a Márcia e põe Ana Moura a soar impossivelmente próxima de Lhasa de Sela. O disco, sem surpresa, é apresentado como ponto de viragem na carreira de Ana Moura, vincando o seu pendor mais pop, e parece tão planeado para o mercado internacional quanto para a conquista de um novo público em Portugal. Entre os habituais do fado, a cantora conta ainda com um tema de António Zambujo e letras de Aldina Duarte, Manuela de Freitas e Mário Rainho.

Quanto aos músicos, Ana Moura manteve uma base fadista - guitarra portuguesa por Ângelo Freire e viola de fado por Pedro Soares -, mas acrescentou-lhes as participações de gente como o contrabaixista David Piltch (Bob Dylan, k.d.lang), o guitarrista Dean Parks (Marvin Gaye, Stevie Wonder), o percussionista Jay Bellerose (Aimee Mann, Ani DiFranco), o teclista Patrick Warren (Fiona Apple, Bruce Springsteen), o violinista Freddy Koella (Lhasa, Carla Bruni) e o inevitável saxofonista Tim Ries, o homem que a ligou aos Rolling Stones e a pôs a cantar No Expectations e Brown Sugar.

Alguns dos temas estão já a ser apresentados na digressão que arrancou no México no início de Outubro. Em Portugal, a primeira apresentação está marcada para 16 de Novembro, em Leiria, seguindo-se Portimão, Faro, Tróia, Torres Novas e Fafe. Em Março de 2013, Ana Moura actua duas noites em Minneapolis. Muito provavelmente, voltaremos então a ouvir falar de Prince na sua vida.