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Cem dias sem Facebook

Ficar cem dias sem entrar no Facebook é o projecto experimental de Filipe Teobaldo. Entretanto, mais voluntários juntaram-se à ideia — já lá vão 27 dias sem a rede social

É possível ficar 100 dias sem Facebook? Foi o que se perguntou o publicitário brasileiro Felipe Teobaldo, de 25 anos, quando teve a ideia de criar o blogue 100face.com.br para registar, dia-a-dia, a sua jornada épica sem a rede social de Mark Zuckerberg.

Tudo começou com um post em que Teo, como é conhecido na Internet, questionava como seria ficar cem dias sem aceder à sua conta do Facebook. A avalance de comentários que se seguiu — dos mais entusiastas aos mais cépticos — e a noção de que faltavam 108 dias para o fim do ano foram o tiro de partida para a empreitada que começou a 22 de Setembro.

Nos últimos anos, a questão do poder aditivo do Facebook tem suscitado inúmeras pesquisas no mundo académico. Uma das mais recentes, divulgada por um grupo de investigadores da Universidade de Chicago e liderada por Wilhelm Hoffmann, defendia que as redes sociais — nomeadamente o Facebook e o Twitter — eram mais difíceis de resistir do que álcool, cigarros e... sexo.

Decidido a aproveitar o "mundo lá fora", Teo expressou nas suas contas do Twitter e Facebook o desejo de começar o projecto. Logo surgiram mais pessoas a identificarem-se com a iniciativa. Quando chegaram aos 100 voluntários, o blogue ganhou um nome, começou a tomar forma e, finalmente, foi concretizado.

Nos posts do blogue, um por dia, os participantes relatam as suas vidas pós-Facebook e como estão lidando com as inúmeras possibilidades de preencher o tempo que antigamente era ocupado pela rede social. Retomar leituras de livros abandonados ou a prática de actividades desportivas são algumas das ocupações expostas no blogue, bem como relatos da imensa dificuldade de comunicar com os amigos ou de aceder a aplicativos e plataformas que eram feitos a partir da rede.

Teobaldo não sabe o que vai acontecer quando os 100 dias de exílio chegarem ao fim, mas numa entrevista ao jornal "O Estado de São Paulo" afirma que já foram contactados uma psicóloga e um antropólogo para analisar os dados recolhidos e tirar uma conclusão "mais interessante e responsável" da experiência.