Seguro satisfeito por Hollande defender posições convergentes com as suas para Portugal

O secretário-geral do PS congratulou-se hoje com as posições do chefe de Estado francês sobre Portugal, frisando que sempre reivindicou interna e externamente a necessidade de mais tempo e juros menores no processo de ajustamento orçamental.

A posição de António José Seguro, que na quinta-feira passada esteve reunido em Paris com François Hollande, foi transmitida à agência Lusa, depois de o presidente francês, em entrevista ao jornal Le Monde, ter considerado que é tempo de se oferecer uma perspectiva para além da austeridade a Portugal.

Na mesma entrevista, o chefe de Estado francês afirmou ainda que os países sob resgate estão a pagar caro os erros cometidos por outros e devem ter empréstimos com taxas de juro razoáveis.

“Estou muito satisfeito com as declarações do presidente francês, porque expressam uma convergência de pontos de vista em relação à necessidade de a Europa enfrentar esta crise colocando a prioridade no crescimento e no emprego, tal como venho defendendo há mais de um ano. Estou satisfeito, também, porque [François Hollande] se referiu a Portugal e sobre a necessidade de a Europa olhar para o nosso país e poder ajudar-nos a sair desta crise com menos sacrifícios e com menos dor, falando mesmo, em concreto, em taxas de juro mais razoáveis”, apontou António José Seguro.

O secretário-geral do PS considerou também que as declarações de François Hollande “são boas notícias para Portugal, porque ter um país como a França a referir-se expressamente a Portugal e a dizer que é preciso olhar para Portugal de uma forma diferente é algo que venho reivindicando há muitos meses”.

“Verifico que há uma convergência de pontos de vista, que ficaram bem patentes na reunião que tive com o presidente de França, na quinta-feira passada”, no Palácio do Eliseu, em Paris, referiu o líder socialista.

Nas declarações à agência Lusa, António José Seguro afirmou que tem defendido desde o início do seu mandato como secretário-geral do PS que a saída para a crise em Portugal “passa também por decisões no plano europeu”, já que desde a adesão à União Económica e Monetária (UEM) o país “começou a partilhar instrumentos que anteriormente estavam sob alçada da soberania nacional”.

“Esses instrumentos precisam de ser accionados e, como tal, é preciso convencer os outros 16 Estados-membros [da zona euro] de que é importante mexer nesses instrumentos, designadamente mais tempo e menos taxas de juro. O que tenho estado a fazer é nos fóruns em que participo, nomeadamente entre os socialistas europeus, poder influenciar, quer junto dos que estão no Governo, que são poucos infelizmente, quer aqueles que estão fora do Governo”, referiu.