O “duro” orçamento português visto pela imprensa internacional

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Vítor Gaspar apresentou ontem o orçamento para 2013 Daniel Rocha

No site da BBC lê-se que este é um dos mais duros orçamentos da história recente de Portugal. O canal de televisão britânico repete a palavra “duro” no texto que dedica à apresentação do Orçamento do Estado (OE) para 2013, entregue e apresentado na segunda-feira por Vítor Gaspar, ministro das Finanças.

O aumento do IRS e os despedimentos na função pública mereceram destaque na notícia que dedicou a Portugal, mas a BBC não deixou de fora os cerca de “2000 manifestantes que se juntaram no parlamento para exigir a demissão do governo, cantando: O povo unido jamais será vencido”. Portugal, diz a BBC, vive a pior recessão desde 1970 com uma taxa de desemprego que já ultrapassa os 15% e que deve chegar aos 16,4% em 2013.

O francês Le Figaro avisa que a contestação ao Governo e ao “bombardeamento fiscal” está a organizar-se e a crescer. Numa altura em que o FMI pede menos austeridade o governo “conservador de Passos Coelho” reforça as medidas mais duras. O Le Figaro refere ainda as críticas do PS e PCP que classificam o OE de “bomba atómica fiscal” e “desastre nacional”, respectivamente.

Em Espanha, o El País noticia o “importante aumento da pressão fiscal” previsto para 2013. O orçamento já gerou “forte polémica” em Portugal, sublinha.

A mesma ideia é repetida pelo alemão Der Spiegel que fala em "aumentos de impostos drásticos" e críticas "violentas" dos sindicatos e partidos de oposição.

A forte subida dos impostos também é notícia no Wall Street Journal. O diário norte-americano diz que o Governo centrou o seu orçamento num acentuado aumento da carga fiscal. E diz mesmo que o OE foi o produto de uma “tortuosa preparação que incluiu um recuo de decisões políticas centrais e reuniões de ministros que duraram mais de 20 horas”.

A intenção era conjugar austeridade e estabilidade política e social mas para o Wall Street Journal esse equilíbrio parece “vago”. O jornal norte-americano noticia ainda o protesto de cerca de “mil manifestantes” concentrados à porta da Assembleia da República.