As Pussy Riot. À esquerda, Ekaterina Samutsevitch, a jovem que o tribunal decidiu libertar Maxim Shemetov/Reuters
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As Pussy Riot. À esquerda, Ekaterina Samutsevitch, a jovem que o tribunal decidiu libertar Maxim Shemetov/Reuters

Pussy Riot: uma foi libertada, duas continuam presas

Condenações de Nadeida Tolokonnikova e Maria Alekhina “mantidas sem alteração”. As três pediram desculpas aos crentes pela sua acção, mas recusaram reconhecer-se culpadas

A justiça russa decidiu esta quarta-feira libertar uma das três jovens do grupo "punk" russo Pussy Riot e confirmar para as outras duas a pena de dois anos de prisão a que todas foram condenadas em Agosto. Depois de apreciado o recurso, o tribunal de apelo de Moscovo decidiu “libertar” Ekaterina Samutsevitch, cuja condenação a prisão efectiva foi transformada em pena suspensa.

O tribunal aceitou a argumentação de que a jovem estava no local, mas foi retirada da catedral pelos guardas e não chegou a actuar. As condenações de Nadeida Tolokonnikova e Maria Alekhina foram “mantidas sem alteração”.


As três jovens foram condenadas em Agosto a dois anos de prisão por terem feito uma “oração” anti-Putin na catedral de Moscovo. Já esta quarta-feira, ao falarem ao tribunal, pediram desculpas aos crentes pela sua acção mas recusaram reconhecer-se culpadas. “Não quisemos ofender os crentes”, disse Ekaterina Samutsevitch, a jovem que veio a ser libertada. “Se foi o caso pedimos desculpa. A nossa acção era política”, afirmou. 

Nadejda Tolokonnikova, 22 anos, Ekaterina Samutsevitch, 30, e Maria Alekhina, 24, são acusadas de “hooliganismo” e “incitamento ao ódio religioso” por, em Fevereiro, terem cantado na Catedral do Cristo Redentor uma “oração punk”, pedindo à Virgem para “expulsar [Vladimir] Putin” do poder. O recurso começou a ser apreciado a 1 de Outubro, mas atrasou-se por Ekaterina Samutsevitch ter cortado com os seus advogados, evocando desacordo sobre a linha de defesa adoptada. 

“Somos todas as três inocentes, estamos na prisão pelas nossas opiniões políticas”, acrescentou Maria Alekhina, que pediu a anulação do julgamento na primeira instância, tal como Ekaterina Samutsevitch.  Nadeida Tolonnikova declarou que está pronta a pedir desculpa se ofendeu alguém, mas, disse, “um arrependimento é impossível porque isso seria reconhecer que a nossa acção era anti-religiosa, o que não é o caso”. 

“Se a nossa condenação for confirmada no recurso e formos para a prisão, não nos calaremos, mesmo que nos enviem para a Sibéria”, disse ainda Alekhina. No domingo, o Presidente, Vladimir Putin, disse que a condenação das jovens a dois anos de prisão era “correcta”.