Perspectivas Económicas Mundiais

FMI prevê menos crescimento global e fraca recuperação na zona euro em 2013

As previsões do FMI, liderado por Christine Lagarde, partem do princípio de que as medidas de combate à crise são suficientes
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Lagarde afirma que a África não está refém de uma maldição incurável Foto: Dominick Reuter/Reuters

Menos crescimentos nos Estados Unidos, uma recuperação frágil da zona euro e um abrandamento da actividade económica dos países emergentes levarão a economia mundial a crescer menos do que o esperado em 2013. A previsão é feita pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), que esta segunda-feira reviu em baixa as previsões de crescimento da economia global para o próximo ano.

Enquanto, em Abril, nas últimas Perspectivas Económicas Mundiais projectava uma expansão de 4% do Produto Interno Bruto mundial, o FMI aponta, agora, para um crescimento de 3,6%.

A contribuir para a revisão está o clima de incerteza da crise da moeda única e o frágil desempenho económico dos EUA, onde o ritmo de criação de emprego está a abrandar.

As economias desenvolvidas – onde se incluem países da zona euro, o Reino Unido, os Estados Unidos, o Japão ou o Canadá – deverão crescer 1,5% (contra 2% previstos em Abril). E para as economias emergentes é prevista um crescimento de 5,6% (contra a previsão anterior de 6%).

Para os EUA, a maior economia global, o FMI aponta para um crescimento de 2,2% este ano, com uma expansão de 1,5% no segundo semestre. Para 2013, é projectado um crescimento de 2,1%.

Na moeda única, o desempenho será também mais negativo do que o FMI esperava há seis meses: em vez de um crescimento de 0,9%, a instituição aponta para uma progressão de 0,2%.

As perspectivas de crescimento para os próximos meses são fracas, razão que leva o FMI a rever também a previsão para o conjunto deste ano, para 0,4% do PIB. Em 2013, a actividade deverá continuar frágil e, entre os países periféricos, só a Irlanda não estará em recessão.

Dois factores centrais contribuem para o abrandamento do PIB na área do euro: a consolidação orçamental em curso e a fragilidade do sistema financeiro, diz a instituição liderada por Christine Lagarde.

Para as economias-núcleo do euro, o FMI prevê crescimento, mas num ritmo mais moderado, incluindo na Alemanha, onde o PIB deverá expandir menos de 1%.

Mesmo com a melhoria recente do comportamento nos mercados financeiros, graças às últimas decisões de política monetária do BCE (zona euro) e da Reserva Federal (Estados Unidos), o FMI adverte que a economia mundial enfrenta riscos. O pressuposto em que assentam os números do FMI denota isso mesmo: por exemplo, no caso da zona euro, a previsão parte do princípio de que as medidas de combate à crise são suficientes. E a isto o FMI acrescenta uma nota: “A intensidade da crise zona euro não diminuiu como assumido em projecções anteriores”.

O risco de a situação económica se agravar continua a pairar nas previsões de médio prazo do FMI. O fundo deixa, aliás, um recado indirecto aos líderes da zona euro, considerando que, se a resposta política à crise for “insuficiente” ou chegar tarde demais, potenciará uma escalada da própria crise da moeda única.

Antes de serem conhecidos oficialmente estes dados, porém, o comissário europeu para os Assuntos Económicos, Olli Rehn, procurou transmitir uma mensagem optimista sobre a resolução da crise. “Ninguém tem vontade de festejar, mas estou actualmente menos pessimista quanto às perspectivas futuras da zona euro do que estava, por exemplo, na primavera”, afirmou, citado pela Lusa.

De acordo com o FMI, as medidas de consolidação orçamental nos países periféricos deverão levar a uma diminuição do défice estrutural (sem os efeitos do ciclo económico e de medidas extraordinárias dos Estados) em 2,5 pontos percentuais, mais do que aconteceu em 2011, quando a redução foi de meio ponto.

Para Portugal, o FMI prevê uma recessão de 1% do PIB em 2013, em linha com a projecção do Governo. No caso do desemprego, a previsão coincide com aquela que o Executivo confirmou em Setembro, quando divulgou o resultado do quinto exame da troika (uma taxa de 16%), mas que reviu entretanto em alta para 16,4%.

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