Duas lendas absolutas num Angrajazz mais forte do que nunca

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DeJohnette, baterista-prodígio, levanta enormes expectativas DR

Jack DeJohnette e Tomasz Stanko, lendas absolutas na 14.ª edição do Festival Internacional de Jazz de Angra do Heroísmo

Consagrado há muito como um dos mais importantes festivais de jazz do país, este ano o Angrajazz consegue a façanha de surpreender, com um dos cartazes mais fortes dos últimos anos. Surpresa reforçada pela presença de dois dos mais importantes jazzmen em actividade: Jack DeJohnette e Tomasz Stanko, figuras lendárias que ultrapassam barreiras e fronteiras estilísticas, conquistando raro consenso entre público e crítica.

DeJohnette, o baterista-prodígio por detrás de obras primas como Bitches Brew e A Tribute to Jack Johnson (Miles Davis), Gateway (com Dave Holland e John Abercrombie), Tribute (Keith Jarrett) ou Power to The People (Joe Henderson), entre inúmeras outras, é um dos mais versáteis bateristas de sempre, projectando enormes expectativas para este concerto da digressão europeia do Jack DeJohnette Group. A seu lado, numa surpreendente e entusiasmante formação, estarão Rudresh Mahanthappa (saxofones), David Fiuczynski (guitarra), George Colligan (piano e teclados), e Jerome Harris (contrabaixo). Tocam amanhã, às 23h30.

Menos conhecido, mas nem por isso de menor estatura, Tomasz Stanko é um dos últimos grandes heróis do jazz europeu. As suas colaborações com Krzysztof Komeda e Zbigniew Seifert são lendárias e representaram uma verdadeira revolução no jazz europeu dos anos 60, dando origem a álbuns como Astigmatic (de Komeda) ou Music for K (quinteto de Stanko que incluia Seifert e o saxofonista Janusz Muniak).

A sua influência estendeu-se muito para além dos anos 60, e Stanko entrou no século XXI como um dos mais vibrantes jazzmen da sua geração, habitualmente acompanhado por instrumentistas de excepção, recrutados entre as fileiras mais jovens do jazz europeu. É precisamente um desses grupos que traz ao Angrajazz (hoje, às 23h30), naquele que será certamente um dos pontos altos do festival. A acompanhá-lo estão Jakob Bro (guitarra), Dominik Wania (piano), Anders Christensen (contrabaixo), e Jakob Høyer (bateria).

Mas a festa não se faz apenas de lendários. Hoje, às 21h30, a abertura é feita, como habitualmente, pela Orquestra Angrajazz dirigida por Pedro Moreira e Claus Nymark, iniciativa notável que faz já parte da identidade do festival e da história do jazz português. Amanhã (21h30), DeJohnette é antecedido pelo quinteto do talentoso saxofonista Rui Teixeira, um dos principais nomes do jazz nortenho e um dos impulsionadores da associação porta-jazz. No sábado, pelas 21h30, regressa à Terceira um dos grandes pianistas do jazz actual, Jason Moran, à frente dos seus Bandwagon, trio emblemático com Tarus Mateen (contrabaixo) e Nasheet Waits (bateria). O encerramento desta grande festa do jazz, às 23h30, é feito com estilo, numa actuação da Orquestra Jazz de Matosinhos com Chris Cheek (saxofone).