UGT não adere à greve geral, mas admite paralisação no futuro

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João Proença diz que é preciso esperar "algum tempo" Foto: Daniel Rocha

“Poderá haver outra greve geral. Esperemos algum tempo”, afirmou o secretário-geral da UGT, João Proença, numa conferência de imprensa sobre as novas medidas de austeridade.

Sobre a participação da UGT na paralisação de 14 de Novembro, João Proença disse que rejeita “acções divisionistas e sectárias como as que levaram a CGTP a, sem qualquer diálogo, convocar uma greve geral”.

“Esta greve geral é contra o governo, mas também contra a UGT”, criticou, dizendo esperar que nenhum sindicato adira à greve de 14 de Novembro.

A CGTP avança, assim, sozinha para uma greve geral. A data foi ontem acordada no Conselho Nacional da Intersindical, contra o “agravamento dos sacrifícios” dos portugueses e a “exploração desenfreada” dos trabalhadores. Na resolução onde anunciou a convocação da greve geral, a CGTP apela “a todos os sindicatos” e aos trabalhadores para se associarem à greve, sem fazer referência à UGT (que em Março também ficou de fora da greve geral).
Na conferência de imprensa, João Proença insurgiu-se contra a “brutal austeridade” anunciada de uma maneira “totalmente anormal” pelo Governo. A UGT defende que as medidas anunciadas ontem pelo ministor das Finanças “nada têm a ver” com o recuo na taxa social única (TSU), mas apenas com o combate ao défice orçamental.

“Anunciar que estas medidas levam a um aumento do desemprego por não existir a TSU, parece-nos um sinal de falta de bom senso. A anterior medida da TSU iria provocar um agravamento da situação económica e um grande agravamento do desemprego. Ao retirar a TSU, a previsão do aumento do desemprego é menor”, realçou ainda o líder da UGT.

“Acontece que há uma subavaliação da previsão da crise económica e do desemprego. Estimamos que no final do ano o desemprego será da ordem dos 17% e no próximo ano será superior ao que o Governo anuncia [16,4%]”, acrescentou.

A UGT anunciou hoje que decidiu realizar uma manifestação de dirigentes e activistas sindicais no próximo dia 26 de Outubro.

Notícia actualizada às 18H00, acrescentando as críticas da UGT às medidas anunciadas ontem pelo ministro das Finanças
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