Liga Europa

Sá Pinto inventou e o poço para o Sporting parece não ter fundo

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Foto: Bernadett Szabo/Reuters

Quando Kristin Jakobsson apitou para o fim do jogo, Marco Caneira foi confortar Sá Pinto, parecendo querer pedir desculpa ao ex-companheiro no Sporting. O defesa, um dos indiscutíveis do Videoton, tinha acabado de contribuir para uma das mais humilhantes derrotas (3-0) de uma equipa portuguesa nos últimos anos nas competições europeias. Frente a um adversário recheado de limitações, Sá Pinto inventou e o poço para este Sporting parece não ter fundo.

Cinco dias depois de mais uma confrangedora exibição e a quatro dias de uma temível visita ao Estádio do Dragão, Sá Pinto foi para a Liga Europa brincar com o fogo. Com a nação sportinguista em ebulição e carente de resultados positivos, o treinador revolucionou o “onze”, deixou de fora os principais trunfos e baralhou ainda mais uma equipa que está perdida desde o início da época. Quando muitos sportinguistas já acreditavam que pior era impossível, surgiu em Székesfehérvár um Sporting que dificilmente conseguiria ganhar ao Desportivo de Chelas.

O Videoton é uma equipa da segunda ou terceira divisão do futebol europeu. Os húngaros, treinados por Paulo Sousa, estão a sete pontos do primeiro lugar no modesto campeonato magiar, foram derrotados por 3-0 na primeira jornada da Liga Europa pelo Genk e até atravessavam a pior fase da temporada: quatro jogos sem vitórias. Mas, ao contrário de Sá Pinto, Paulo Sousa tinha o jogo bem preparado. Conhecedor do mau momento dos “leões” e sabendo das debilidades da sua equipa, o treinador do Videoton ofereceu a bola aos sportinguistas e esperou que caíssem no engodo para contra-atacar.

Com Capel, Carrillo e Elias em Lisboa, Cédric, Schaars e Wolfswinkel no banco e algumas adaptações (Gelson jogou a defesa direito e Viola confirmou que não é ponta-de-lança), Sá Pinto iniciou o jogo em 4x3x3, mas escolheu um meio-campo macio. Rinaudo voltou a ser escolhido para a posição “6” e à sua frente jogaram André Martins e Izmailov.

O trio acabou por ter o protagonismo nos primeiros 10 minutos. Com o Videoton aparentemente desinteressado do jogo, o Sporting iniciou a partida com muita posse de bola, mas o controlo era inconsequente. E a monotonia em Székesfehérvár foi quebrada aos 15’. Na primeira vez que construiu um contra-ataque, o Videoton ganhou um canto e chegou ao golo: Nikolic rematou de cabeça, Patrício defendeu para a frente e Vinicius empurrou para a baliza. Era o início do fim do Sporting.

Paulo Sousa tinha avisado: “Se formos os primeiros a marcar, aviso que seremos muito difíceis de travar.” E o português acertou. Em vantagem, o Videoton ficou ainda mais confortável para fazer o jogo de espera e a intranquilidade sportinguista disparou. Aos 17’, perante a incapacidade “leonina” para entrar na área húngara, Rojo tentou a sorte do meio da rua, mas Bozovic defendeu de forma atrapalhada para canto. Quatro minutos depois, no terceiro contra-ataque magiar, chegou o 2-0: arrancada de Nikolic, centro de Balufo e Filipe Oliveira, mal marcado por Gelson, marcou de cabeça. A resposta de Sá Pinto ao descalabro da sua equipa surgiu aos 30’, com a troca de Rinaudo por Wolfswinkel. O Sporting passava a jogar em 4x4x2 e até podia ter reentrado na discussão do jogo cinco minutos depois, mas Viola falhou de cabeça um golo fácil.

Menos de um minuto depois, Boulahrouz deu o golpe final nos “leões” numa jogada digna de um campeonato regional: pontapé de baliza para o Videoton, um húngaro desvia de cabeça a meio-campo e a bola sobra para o holandês que, de forma displicente, assiste Nikolic. O avançado agradeceu e o impensável acontecia: o Sporting perdia por 3-0.

Com a equipa KO, Sá Pinto trocou ao intervalo Labyad por Schaars. Com a entrada do holandês, Izmailov passou para o flanco e o Sporting evoluiu do paupérrimo para o sofrível. Os “leões” ainda conseguiram criar várias oportunidades para reduzir, mas a inépcia dos avançados sportinguistas e o esforço húngaro manteve o zero do lado do Sporting. Um castigo merecido para uma equipa em crise profunda, que ocupa um humilhante último lugar no fraquíssimo Grupo G.

Notícia actualizada às 21h29