Comércio e serviços antecipam encerramento de empresas e “consequências devastadoras” para a economia

João Vieira Lopes, líder da CCP
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João Vieira Lopes, líder da CCP Foto: Rui Gaudêncio

CPP contesta a orientação da política orçamental do Governo e a CSP diz que este é o “maior e mais draconiano ataque à economia portuguesa”.

A Confederação do Comércio e Serviços de Portugal (CCP) já veio contestar a “orientação” da política orçamental do Governo, prevendo que continue a deprimir o consumo interno e a aumentar o desemprego.

A confederação, liderada por João Vieira Lopes, acusa o executivo de não tirar “as ilações necessárias do falhanço da execução orçamental deste ano” e antevê que também a execução de 2013 está em risco, “apesar do ‘choque fiscal’ agora anunciado”.

Em comunicado, a CCP diz que, se o Governo mantiver a estratégia orçamental deste ano “é previsível a continuação do encerramento maciço de empresas”, o aumento do desemprego, com a “consequentemente das despesas sociais” e o agravamento do défice.

A confederação considera que o agravamento do IRS é uma medida mais equilibrada “em termos de consumo interno” do que a proposta anterior das alterações na Taxa Social Única. Mas diz que não resolve “as questões centrais resultantes da perda de rendimento disponível”.

Já a Confederação dos Serviços de Portugal (CSP) considerou esta quarta-feira que as medidas anunciadas por Vítor Gaspar vão afectar” de forma brutal o consumo privado e terão um efeito altamente recessivo sobre a economia nacional”. “Este é maior e mais draconiano ataque à economia portuguesa de que há memória”, critica Luís Reis, presidente da CSP.

Também a Associação Portuguesa das Empresas de Distribuição (APED), presidida igualmente por Luís Reis, já veio expressar “uma profunda preocupação” pelo impacto que as medidas vão ter no consumo interno. “O orçamento das famílias, que já está hoje muito reduzido, sofrerá um forte agravamento, o que trará consequências devastadoras para toda a economia e para o sector da distribuição”, disse a APED em comunicado, lamentando que não tenha sido anunciada nenhuma medida de incentivo à recuperação económica.