Liga dos Campeões

Messi mostrou o caminho para os golos

Messi e Fábregas festejam o segundo golo do Barcelona
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Messi e Fábregas festejam o segundo golo do Barcelona Foto: José Manuel Ribeiro/Reuters

Lionel Messi é o líder incontestado do Barcelona. Não é capitão, porque não gosta de usar braçadeira, nem lhe agradam as burocracias da escolha de campo. Mas tudo gira à volta dele. A táctica é retocada para o acomodar melhor, houve contratações e dispensas em função do argentino e ninguém na equipa catalã discute o seu estatuto.

As contrapartidas por estas benesses são pagas jogo a jogo, com golos e assistências de Messi, como aconteceu ontem na Luz. Duas acelerações do argentino bastaram para fazer ruir como um castelo de cartas toda a táctica trabalhada por Jorge Jesus. Os golos de Alexis Sánchez (6’) e Fàbregas (55’) que deram o triunfo catalão por 2-0 nasceram de dois lances em que o argentino juntou simplicidade e genialidade para destruir horas de planeamento táctico de Jorge Jesus.

O Barcelona já tinha visitado o Estádio da Luz em duas ocasiões (1991 e 2006) e em ambas o resultado foi 0-0. Tito Vilanova até tinha dito que marcar era um desafio para os seus jogadores. E desta vez os catalães precisaram apenas de seis minutos para o fazer, numa jogada inventada por Messi e finalizada por Alexis.

O chileno, que é por esta altura um dos patinhos feios do Barça, marcou pela primeira vez desde Abril. E tem um curioso registo de já ter recebido mais assistências de Messi do que as que ofereceu ao argentino. Algo surpreendente, até porque hoje Messi exige cada vez mais que os companheiros joguem para ele.

O jogo começava, assim, da melhor maneira para o Barcelona e da pior forma para um Benfica que tinha a lição bem estudada. Jorge Jesus povoou mais o meio-campo, preferindo a capacidade física de Bruno César à criatividade de Aimar.

A equipa da Luz seguiu aquilo que tantas outras fazem contra o Barça. Sabendo que a posse de bola é do adversário (os catalães terminaram com 74%), assumiu o papel secundário, tentando explorar o contra-ataque. E a estratégia até poderia ter resultado logo aos 11 minutos, quando Lima, isolado, rematou contra o pé de Valdés.

Rendido ao estilo de jogo do adversário, o Benfica tentou dificultar a tarefa do Barcelona encurtando os espaços. Ou seja, jogando com a defesa adiantada e com uma linha de cinco médios muito próxima da defesa. Uma estratégia que obrigou o Barça a falhar alguns passes e também a mostrar que os seus recursos não se limitam aos passes curtos. Não raras vezes, os catalães apostaram em lançamentos longos para Alexis Sánchez e Pedro Rodríguez, como aos 26’, quando o chileno esteve perto de voltar a marcar.Além do contra-ataque, o Benfica tentava os lances de bola parada e os lançamentos laterais para explorar as lacunas defensivas do Barcelona. E se é verdade que a equipa da Luz até mostrou que se pode rematar muito sem ter muita posse de bola (terminou com 12 remates, mais dois do que o adversário), também é certo que faltou pontaria. E quando ela apareceu (Salvio, 57’), Valdés mostrou que sabe usar as mãos, apesar de ser um guarda-redes que na maior parte das vezes joga com os pés.

O carrossel do Barcelona foi adormecendo cada vez mais os jogadores do Benfica (767 passes, contra 175), até porque no meio-campo só Matic mostrava alguma agressividade para tentar roubar a bola ao adversário. E tudo ficou decidido aos 55’, quando Messi inventou mais uma jogada, desmarcando Fàbregas.

Jorge Jesus reagiu, lançando Aimar, depois de já ter trocado Bruno César por Carlos Martins. Os decibéis no estádio subiram em alguns lances, especialmente de bola parada. Mas sem consequência. Até porque o estilo do Barcelona tem tanto de ofensivo, como de defensivo, porque a paciente troca de bola à espera de um buraco na defesa contrária também anula os ímpetos atacantes dos rivais.

Messi, que ficou em branco pelo terceiro jogo seguido, ainda tentou fazer golo, mas Artur travou o cabeceamento (74’), tal como na primeira parte já tinha parado um remate de pé esquerdo (22’). Mesmo sem marcar, o argentino saiu da Luz como o artista-mor de um jogo que na parte final foi perdendo qualidade. Sucederam-se jogadas confusas e episódios laterais. Puyol, que regressou após duas semanas de paragem, lesionou-se (luxação no braço esquerdo), Busquets foi expulso e o Benfica reclamou penálti por mão de Alba.

Depois do apito final, Messi trocou de camisola com Aimar, o seu ídolo de infância. E regressou ao balneário com a certeza de que ninguém discute o seu lugar nesta equipa e na história do futebol. Os números do estatístico Mr. Chip mostram que em 2012 ele marcou 53 golos e fez 21 assistências, participando em 61% dos golos da sua equipa. Mas mais do que os números, é vê-lo em campo que prova como é um jogador à parte. Um génio que perdurará na memória do futebol por muitos anos.

POSITIVOMessi

Mesmo sem fazer a melhor exibição da carreira, esteve acima de todos os outros no relvado da Luz.


Alexis

O chileno pôs fim a uma seca de mais de cinco meses sem marcar.


Matic e Salvio

Foram os melhores do Benfica, num jogo ingrato para uma equipa habituada a atacar e que teve de remeter-se à defesa.


NEGATIVOMaxi

Costuma ser um dos melhores, mas teve uma noite de pesadelo com Alexis. Os dois golos surgiram pelo seu lado.


Lima

Está em grande forma, mas faltou-lhe tudo o que se pede a um ponta-de-lança: eficácia a rematar à baliza.


Ficha de jogo

Benfica, 0Barcelona, 2

Estádio da Luz, em Lisboa. 
Espectadores 63.847 

Benfica
Artur, Maxi Pereira, Jardel, Garay, Melgarejo, Matic, Sálvio, Gaitan (Nolito, 75’), Enzo Perez (Aimar, 60’), Bruno César (Carlos Martins, 46’) e Lima. Treinador Jorge Jesus
Barcelona
Victor Valdés, Daniel Alves, Puyol (Alex Song, 78’), Mascherano, Jordi Alba, Busquets, Xavi Hernández, Fábregas (Iniesta, 72’), Pedro Rodriguez (David Villa, 82’), Alexis Sanchez e Messi. Treinador Tito Vilanova
Árbitro Cakir Cuneyt, da Turquia
Amarelos: Fábregas (19'), Pedro Rodriguez (28'), Bruno César (38'), Carlos Martins (84'), Matic (86'), Busquets (88') e Jardel (89').

Notícia actualizada às 22h48