Crónica de jogo

“Princípio da chiclete” quase resultou na primeira derrota ao FC Porto

Tarantini marcou dois golos em sete minutos
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Tarantini marcou dois golos em sete minutos Foto: Miguel Vidal/Reuters

Vítor Pereira tinha avisado antes da partida de Vila do Conde: “Os jogadores sabem que quem tirar o pé do acelerador corre o risco de perder o comboio.” Apesar do alerta do treinador, os portistas, que durante a próxima semana defrontam o PSG e o Sporting, realizaram uma exibição muito fraca frente ao Rio Ave, empataram a dois golos e perderam dois pontos. Um golo de Jackson Martínez, no último minuto, evitou a primeira derrota dos campeões nacionais no campeonato.

Há cerca de sete meses, na véspera de receber o Manchester City, Vítor Pereira afirmou que “não se pode liderar uma equipa” segundo o “princípio da chiclete”. O treinador defendia o lugar de Maicon, que “quando o FC Porto precisou correspondeu”: “Não podes utilizá-los [aos jogadores], eles correspondem e no jogo a seguir, onde já tenho outra chiclete com sabor total, jogamos a chiclete fora e metemos outra na boca”. “Isto é muito bonito, mas para quem está de fora e nunca liderou ninguém”, acrescentou o técnico.

No entanto, em Vila do Conde, Vítor Pereira colocou esse “princípio” de lado. Uma semana depois da competente exibição contra o Beira-Mar, o técnico já podia contar com Lucho e Otamendi estava de regresso aos convocados.

Para entrar “sabor” argentino, Varela (que até marcou aos aveirenses) e Mangala saíram da equipa. A outra troca, foi, mais uma vez, a alternância no “onze” entre Miguel Lopes e Danilo. Desta vez, foi o português que jogou na direita da defesa.

As alterações não se limitaram à troca de nomes. Com o regresso de Lucho, o meio-campo voltou ao figurino tradicional (Defour foi o médio mais recuado) e James, o homem do jogo contra o Beira-Mar na posição “10”, voltou a ser encostado à linha.

No Rio Ave jogou a equipa previsível. Depois dos dois golos apontados a meio da semana em Freamunde, para a Taça da Liga, João Tomás voltou a ser titular no campeonato (algo que não acontecia desde a primeira jornada). Apesar de contarem com o experiente goleador, os vila-condenses entregaram a iniciativa aos “dragões” e, na primeira parte, quase abdicaram de atacar.

Desde os primeiros minutos que o domínio pertenceu ao FC Porto, mas a exibição “azul e branca” ficou a milhas da exuberância mostrada contra o Beira-Mar. Com James nos flancos, o futebol portista tornou-se previsível e, apesar de os campeões nacionais terem muita posse de bola, as oportunidades junto da baliza de Oblak rarearam e seria João Tomás, aos 14’, a estar perto do golo: Helton defendeu com dificuldade.

Com dificuldades em furar a organizada defesa vila-condense, os portistas precisaram de uma bola parada para desatar o nó na partida: aos 33’, James marcou um livre, Oblak evitou o golo, mas Miguel Lopes, no regresso a Vila do Conde, aproveitou o ressalto para rematar de cabeça para o fundo da baliza. A vantagem do FC Porto não desviou o sentido do jogo um milímetro e, até ao intervalo, a equipa de Vítor Pereira dominou por completo. Antes de defrontar PSG (quarta-feira) e Sporting (domingo), parecia que os “azuis e brancos” teriam uma jornada tranquila.

No entanto, os portistas surgiram no recomeço menos agressivos, o Rio Ave aproveitou para mostrar algum atrevimento e, aos 54’, após centro

remate de Edimar, Tarantini ficou a centímetros de desviar para o golo. O aviso estava dado.
Vítor Pereira respondeu com a troca de Atsu e Lucho por Varela e Fernando, mas, apesar do susto, a displicência “azul e branca” mantinha-se e o golo do empate acabou por surgir: aos 79’, após um enorme erro de Maicon, Tarantini entrou na área e fez o 1-1.

O FC Porto respondeu com a entrada de Kléber, mas o desnorte nos “dragões” era evidente e, aos 86’, com um grande remate à entrada da área, Tarantini colocou o Rio Ave na frente. O FC Porto parecia estar definitivamente KO e foi então que surgiu Jackson. O colombiano raramente se viu durante a partida, mas no último minuto, após centro de Miguel Lopes, fez de cabeça o golo do empate. Um mal menor para uma equipa que pareceu estar quase sempre com a cabeça nos próximos jogos e se deixou apanhar pelo Benfica na liderança.


POSITIVO

Tarantini
O médio do Rio Ave ficou, aos 54’, a milímetros do golo, mas depois tornou-se no homem do jogo ao marcar aos 79’ e 86’.

Miguel Lopes
No reencontro com a equipa pela qual se estreou na Liga, Miguel Lopes foi dos poucos portistas com nota positiva. Foi oportuno ao aproveitar um ressalto para fazer o primeiro golo e fez a assistência que evitou a derrota dos “dragões”.

NEGATIVO

Maicon
A forma displicente como o defesa perdeu a bola no lance do primeiro golo do Rio Ave reflecte bem a maneira como os portistas encararam um jogo definido por Vítor Pereira como “muito importante”.

FC Porto
O empate acaba por ser um bom resultado para os portistas. Os “azuis e brancos” pareceram sempre mais preocupados com os jogos seguintes.


Notícia actualizada às 22h58