Salários dos trabalhadores de base caem mais dos que os dos gestores

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Foto: Manuel Roberto

É um resultado inédito no estudo sobre salários em Portugal que a consultora Mercer faz todos os anos, desde 1998. Pela primeira vez os salários nominais (o que recebemos efectivamente no final do mês) desceram em praticamente todos os níveis hierárquicos das empresas. E quem mais perdeu foram os escalões mais baixos.

Por situações de reforma, fim de contratos laborais ou reestruturações internas, as organizações estão a substituir trabalhadores e a oferecer remunerações inferiores a quem entra para as mesmas funções.

"Desde 2009 os aumentos salariais praticados não têm sido suficientes para compensar a inflação, mas este ano verificamos que o mercado está a diminuir. O efeito de substituição [de trabalhadores] é muito significativo", diz Tiago Borges, responsável em Portugal pelos estudos salariais da Mercer, especializada em recursos humanos. Com a taxa de desemprego colada nos 15%, aumenta a pressão para reduzir os ordenados médios. Há cada vez mais pessoas sem trabalho dispostas a ganhar menos. "Os colaboradores em novas funções estão a aceitar valores de remuneração mais baixos devido ao impacto que a alta oferta de profissionais (particularmente os menos qualificados) tem na formação dos novos salários", explica Tiago Borges.

Quem mais tem sofrido com os cortes de ordenado são, por isso, os administrativos e os operacionais da indústria, funções onde as descidas médias verificadas este ano são de 1,27% e 1,80%, respectivamente. Do lado oposto estão os directores-gerais e administradores que viram o seu salário reduzir-se apenas em 0,37%. De acordo com Tiago Borges, esta diferença deve-se não só ao número de executivos disponíveis no mercado de trabalho (mais reduzido em comparação com, por exemplo, os administrativos), mas também ao tipo de vínculo contratual que têm. "Os CEO têm mais antiguidade e estabilidade dentro da empresa, contratos de longa duração, o que não acontece noutras funções. Além disso, é mais difícil substituir estes quadros por alguém com um menor nível salarial", sublinha.

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