Concessão do Baixo Alentejo

Autarca de Ferreira do Alentejo acusa Governo de “irracionalidade económica”

A EP e a Estradas da Planície acordaram reduzir encargos na concessão do Baixo Alentejo
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A EP e a Estradas da Planície acordaram reduzir encargos na concessão do Baixo Alentejo Foto: Enric Vives-Rubio

O presidente da Câmara de Ferreira do Alentejo (PS) acusou hoje o Governo de ter cometido uma “irracionalidade económica” ao suspender a construção de lanços da A26, nos quais já foram gastos “muitos milhões de euros”.

O “abandono” da construção dos lanços entre Santa Margarida do Sado e Beja da A26, que está incluída na subconcessão Baixo Alentejo e deveria ligar Sines a Beja, “significa uma completa irracionalidade económica, que, nos tempos que correm, deveria ter sido muito mais pensada e não ter sido tomada de ânimo leve”, disse Aníbal Costa à agência Lusa.

Segundo o autarca, o Governo “desperdiçou meios públicos de muitos milhões de euros” em obras dos lanços da A26 agora suspensos e que “já estão no terreno e não vão ter qualquer tipo de utilização”.

Por outro lado, “é, a todos os níveis, lamentável que, a poupança” de 338 milhões de euros, que a Estradas de Portugal diz que o Estado conseguiu com as alterações à subconcessão Baixo Alentejo, “se faça à custa do desenvolvimento da região”, frisou.

Na prática, “a poupança que se traduz nesta negociação basicamente é jogar fora muitos milhões de euros e abdicar de uma via fundamental” que iria ligar Sines a Beja e a Autoestada do Sul (A2) à capital do distrito de Beja, lamentou.

“Estamos muito desiludidos e insatisfeitos. Sentimos que as obras feitas até agora e que implicaram um esforço financeiro do país de muitos milhões de euros não vão ter qualquer tipo de utilidade”, disse.

A decisão de suspender os lanços da A26 entre Santa Margarida do Sado e Beja é “lamentável”, porque “existe obra no terreno que não vai ter utilidade” e “estruturas que ficaram por consolidar e já oferecem algum perigo”, disse Aníbal Costa.

Por outro lado, houve um “incómodo ao nível do ordenamento do território”, devido à expropriação de terrenos e ao “revolvimento brutal de terras, com implicações do ponto de vista ambiental”.

Por isso, indicou, a Câmara de Ferreira do Alentejo irá apresentar um foto-relatório ao Governo para o “alertar para as situações lamentáveis” que estão no terreno.

A Estradas de Portugal (EP) anunciou na terça-feira ter chegado a acordo com a Estradas da Planície, que prevê uma poupança para o Estado de 338 milhões de euros na subconcessão Baixo Alentejo.

A redução traduz-se, entre outras medidas, na retirada da subconcessão e suspensão dos trabalhos de construção dos lanços da A26 entre Relvas Verdes e Grândola e entre Santa Margarida do Sado e Beja.

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