Liga dos Campeões

Benfica escapou finalmente à derrota em Glasgow mas empate sabe a pouco

Aimar foi titular na Escócia
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Aimar foi titular na Escócia Foto: David Moir/Reuters

Após três derrotas em três visitas ao campo do Celtic (1969, 2006 e 2007), o Benfica saiu finalmente de Glasgow sem perder. Este empate (0-0) é historicamente um bom resultado e até nem é mau tendo em conta a revolução que Jorge Jesus teve de fazer. Mas também é verdade que a equipa da Luz deixou de conquistar dois pontos perante um adversário que é bastante mais fraco e que quase nunca incomodou a baliza de Artur.

E se empatar fora na estreia na Liga dos Campeões nunca é mau, sair de Glasgow com apenas um ponto sabe a pouco. Até porque o Celtic mostrou muitas limitações e em Barcelona o Spartak de Moscovo deu grande luta a Messi e companhia, que visitam a Luz já na próxima jornada, a 2 de Outubro.

Em Glasgow, o Benfica até começou por resistir bem a uma das grandes armas do adversário. O Celtic é uma equipa temível em casa. Não tanto pela qualidade futebolística (e ainda menos na actual formação), mas pelo ambiente. O público puxa muito pelos jogadores e estes mostram que, mais do que talento, é preciso ter alma para representar esta equipa escocesa.

Os minutos iniciais em Celtic Park assemelham-se sempre a uma perseguição louca aos adversários. Os jogadores correm, empurram, saltam, sabendo que o contacto físico intimida. E os adeptos gritam e gritam, esperando que isso descontrole o adversário.

Mesmo sem Maxi Pereira, Luisão, Javi García e Witsel, o Benfica soube resistir a este primeiro impacto. E no resto do jogo André Almeida (que jogou como lateral-direito) e Jardel (o parceiro de Garay no centro da defesa) deram boa conta de si. E até Enzo Pérez, adaptado a médio-centro, soube proteger-se e fazer um jogo competente, sem se transformar num defeito a explorar pelo adversário.

Este bom desempenho defensivo resultou em parte da inoperância do Celtic, que nem no jogo aéreo criou muito perigo. E nasceu também da inteligência da equipa portuguesa na hora de defender, concedendo poucos espaços ao adversário. Este, aliás, terá sido um dos jogos mais cautelosos de Jorge Jesus no Benfica.

Prémio de 500 mil euros

Ironicamente (e este foi um jogo cheio de ironias), foi a atacar que a equipa da Luz ficou mais aquém das expectativas. Jesus apostou em Rodrigo em vez de Cardozo, esperando tirar proveitos da velocidade do avançado hispano-brasileiro. Só que raramente a equipa foi capaz de sair rápido para o ataque. Mesmo com Aimar em campo, faltou capacidade criativa à formação lisboeta.

Apesar de ironicamente ter tido menos posse de bola (47 contra 53%), as melhores tentativas foram do Benfica. Num dos poucos lances de contra-ataque, Rodrigo falhou o remate (32’), após um bom passe de Enzo Pérez — neste lance o brasileiro foi “atropelado” pelo guarda-redes, ficando a dúvida se o contacto ocorreu já depois da tentativa de remate.

Já na segunda parte, outra ironia. Num canto (uma vertente do jogo que os escoceses dominam), Garay criou perigo, cabeceando para uma defesa atenta de Forster (62’). Jesus fez depois mudanças, lançando Cardozo, Bruno César e Nolito, mas o melhor que a equipa conseguiu foi engrossar o número de remates, que parou nos 11.

Deste primeiro jogo pós-Javi García e Witsel, sobram mais dúvidas do que certezas sobre o que poderá ser o novo Benfica. O tempo dirá como se poderá reconstruir, sendo certo que o espectáculo oferecido nesta quarta-feira na Escócia pelas duas equipas foi bem menos chorudo do que os 500 mil euros de prémio para cada clube. Basta dizer que foi o único nulo da noite. E que a estatística da UEFA considerou ter havido zero boas oportunidades de golo.

POSITIVOAndré Almeida e Enzo

Foram lançados às feras em situações complicadas. O jovem português (22 anos) saiu-se bem frente a Commons, um dos menos maus do Celtic, e ainda teve oportunidade de fazer alguns bons cruzamentos. E Enzo Pérez, não fazendo esquecer Witsel, foi disciplinado tacticamente e ainda isolou Rodrigo na melhor oportunidade do jogo. Matic agradou.


Garay

Na ausência de Luisão, foi o líder da defesa benfiquista. E com sucesso. Porque o Celtic nunca criou perigo, nem no jogo aéreo.


NEGATIVOAtaque do Benfica

Uma equipa com tendência ofensiva mostrou pouco. Aimar não criou, Gaitán também não desequilibrou, Rodrigo esteve muito discreto e Salvio só apareceu esporadicamente.


Ficha de jogo

Celtic, 0Benfica, 0

Jogo no Celtic Park, em Glasgow (Escócia).Cerca de 60 mil espectadores

Celtic

Forster, Matthews, Wilson, Mulgrew, Izaguirre (Hooper, 66), Lustig (Rogne, 63), Commons, Wanyama, Brown, Forrest e Fedor. Treinador: Neil Lennon

Benfica

Artur, André Almeida, Jardel, Garay, Melgarejo, Matic, Enzo Perez, Aimar (Cardozo, 63), Salvio, Gaitan (Nolito, 83) e Rodrigo (Bruno César, 70). Treinador: Jorge Jesus.

Árbitro

Nicola Rizzoli (Itália).

Amarelos

Wanyama (21), Izaguirre (34), Matic (46), Aimar (57), Brown (89) e Bruno César (90+1).

Grupo G

1.º Barcelona 1 jogo/3 pontos


2.º Benfica 1/1


3.ºCeltic 1/1


4.º Spartak 1/0