Liga dos Campeões

FC Porto mostra a sua superioridade e entra a vencer

Lucho festeja o primeiro golo
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Lucho festeja o primeiro golo Foto: Hrvoje Polan/AFP

Lucho aproveitou uma boa exibição de Alex Sandro e abriu a vitória do FC Porto em Zagreb. Uma vitória na entrada da Champions frente a um adversário claramente inferior. O jogo não foi extraordinário por parte dos portistas, mas nem precisavam de mais. Foram claramente superiores aos croatas e Defour, em cima do final, fechou o resultado (2-0).

A primeira surpresa de Vítor Pereira foi a entrada de início de Miguel Lopes para o lugar que nos últimos tempos tinha sido entregue ao internacional brasileiro Danilo. O técnico portista procurou assegurar fundamentalmente mais segurança defensiva quando pela frente naquele flanco estava aquela que é considerada a grande futura estrela do futebol croata: Brozovic. Um talento de apenas 19 anos que chegou este ano. Os adeptos portistas viram também James, com Varela e Jackson, na frente. O colombiano teve como que o papel disfarçar um pouco Hulk. O técnico portista até o colocou a jogar, por vezes, na direita para tirar partido das diagonais, que eram uma imagem de marca de Hulk.

Esta equipa croata é provavelmente a mais fraca do Grupo. Tem jogadores com talento como o brasileiro Sammir, o cérebro do grupo, e um médio esquerdo de 19 anos que promete muito. Mas Defour conseguiu anulá-lo, apesar da ausência de Fernando. Samir mostrou muita técnica, mas necessita das rotações mais elevadas, algo que se pede a um grande talento. A jovem estrela também nunca conseguiu criar desequilíbrios. Muito por culpa da inferioridade da equipa em relação ao adversário, mas também pela aposta defensiva de Ance Cacic. Um estratagema que passava por dois médios defensivos e linhas demasiado recuadas que entregaram quase toda a iniciativa aos portistas. Só que nem isso, serviu para compensar as fragilidades defensivas de homens como os centrais Tonel e Simunic. E a aposta no contra-ataque nunca funcionou, com a problemática de toda a estrutura adversária tremer sempre que a equipa portuguesa acelerava.

Resultado: o FC Porto mandou sempre. Teve mais bola e mais jogo. Com Moutinho e Lucho a mandarem no meio-campo e Alex Sandro a defender e a atacar pelo seu corredor. Mas a primeira verdadeira oportunidade de golo surgiu apenas quando estavam decorridos 40’. Um lance nascido de um disparate de um central e concluído de forma completamente tola por Jackson Martínez. O croata entregou a bola ao colombiano que ficou com a baliza completamente aberta, mas acabou por se deixar cair num lance com o lateral Vida. Um desfecho pouco digno de quem custou 8,8 milhões. Mas existe sempre o salvador do costume: Lucho. Um minuto depois Alex Sandro avançou muito bem pela esquerda e cruzou rasteiro para uma defesa para a frente de Kelava. O argentino surgiu em corrida e não perdoou.

Chegou o intervalo. Ance Cacic resolveu finalmente dar mais capacidade ofensiva à sua equipa. Tirou um médio Ademi e fez entrar o ponta-de-lança Beqiraj, um jogador que tem sido o responsável por grande parte dos golos da equipa. Passou a jogar mais à frente e retirou alguma, pouca, iniciativa ao FC Porto que manteve o mesmo ritmo (nunca muito elevado). E um disparate de Helton, aos 63’, quase permitia o golo ao português Tonel num remate de bicicleta.

Curiosamente foi depois o guarda-redes brasileiro a evitar o pior com uma boa recuperação. E a seguir lançou rapidamente para James que obrigou Kelava a uma grande defesa. Voltou a repetir o feito, aos 61’, quando falhou a saída a um cruzamento e depois realizou uma grande defesa a Carrasco. E ainda isolou Kléber, que tinha tudo para fazer o golo mas rematou ao lado.

Mas ainda haveria tempo para o segundo golo portista. O excelente Atsu entrou (aos 72’ para o lugar de Varela) e deu o golo a Defour, aos 90’.

A FIGURA DO JOGOAlex Sandro

O lateral esquerdo foi um dos elementos preponderantes na equipa portista. O internacional brasileiro de 21 anos conseguiu defender o seu corredor e teve forças para subir, dar velocidade e tirar cruzamentos perigosos. Um deles, aos 42’, colcou a bola na área, o guarda-redes Kelava apenas conseguiu afastar para a frente e surgiu Lucho a marcar. O jogador, contratado pelos portistas em 2011, esteve nos recentes Jogos Olímpicos, regressou e agarrou em definitivo o lugar.


POSITIVOLucho e Defour

O argentino foi o mentor do futebol portista e conseguiu abrir o marcador, logo a seguir a um desperdício inacreditável de um colega. Lucho pode ainda não ter a velocidade e rapidez de processos que nos habituou, mas mesmo assim é decisivo. O belga não só conseguiu anular uma das pedras principais do adversário como fechou o resultado a passe de Atsu.


NEGATIVOJackson Martinez e Kléber

FC Porto teve azar com os dois pontas-de-lança. Jackson teve uma oportunidade soberba para marcar, com a baliza aberta, após um erro inacreditável de um defesa, e falhou. Kléber, depois, teve oportunidade de surgir isolado. Com tudo para matar o jogo. Mas também fez o impossível: rematou ao lado. Dia não para os avançados.


Ficha de jogo

Dínamo Zagreb, 0FC Porto, 2

Jogo no Estádio Maksimir, em Zagreb.Assistência: cerca de 10.000 espetadores

Dínamo Zagreb

Ivan Kevala, Vida, Tonel, Simunic, Pivaric, Ademi (Beqiraj, 58), Calello (Kovacic, 80), Sammir, Brozovic, Cop e Rukavina (Carrasco, 67). Treinador: Ance Cacic.

FC Porto

Helton, Miguel Lopes, Maicon, Otamendi, Alex Sandro, Defour, Lucho, João Moutinho, Varela (Atsu, 72), James Rodriguez (Mangala, 88) e Jackson Martínez (Kléber, 77). Treinador: Vítor Pereira.

Árbitro

Daniele Orsato (Itália).

Amarelos

Não houve

Golos

0-1, Lucho González, 41'


0-2, Defour, 90+2'


Notícia actualizada às 22h23