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A base da comunicação gráfica para o evento Vienna Design Week Silvio Teixeira

O grande puzzle Silvio Teixeira

O designer português chegou a Viena com um cartão de visita e 100 identidades. Bateu à porta certa e agora assina o trailer oficial do evento Vienna Design Week

É um puzzle, um Mikado de cadeiras, uma escultura circunstancial. O vídeo — trailer oficial do evento Vienna Design Week, que decorre entre os dias 28 de Setembro e 7 de Outubro — foi concebido por Silvio Teixeira, o português das 100 identidades, com direcção de arte do estúdio Bueronardin.

É dele a pilha de cadeiras — ou o que resta dela —, base da comunicação gráfica do mais importante festival de design austríaco em vias de apresentar a sua sexta edição. “Nos últimos anos coloca-se à porta de cada evento uma cadeira, uma espécie de assinatura do Vienna Design Week, uma imagem de marca que serve para sinalizar”, explicou ao P3 Silvio Teixeira, em Viena desde o início do ano.

Silvio tem 27 e considera-se “nómada”. Nasceu em Mirandela, estudou Design em Aveiro e Fotografia no Porto antes de um estágio em Amesterdão e do programa Inov-Art em Barcelona. Quando chegou à capital austríaca “por razões pessoais” decidiu bater a algumas portas. Literalmente.

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Silvio, 27 anos, considera-se um nómada Silvio Teixeira

“Uma publicidade a mim próprio”

“Fui aos estúdios de que mais gosto”, conta o jovem designer que debaixo do braço levava o seu mais pessoal projecto, o “100 Ids”, um cartão de visita, um exercício que lhe permitiu mostrar um leque de capacidades criativas. “Foi uma surpresa porque foi muito apreciado. Uma publicidade a mim próprio”.

“A auto-promoção é difícil para qualquer pessoa, mas para designers é uma tarefa olímpica”, escreveu a revista Wired quando viu o vídeo promocional assinado pelo português. “100 Ids” é um simples cartaz (50cm por 70cm) multifunções: são 100 cartões de visita com o seu brasão, é um vídeo e um baralho de pequenas criações. Foi “um projecto inteligente”, palavras do site LaughinSquid, que lançou Silvio na altura certa e no local certo.

Silvio, conta hoje, só entregou cerca de 10 cartazes. Quando bateu à porta do atelier Christof Nardin, a sua sorte mudou. “Entreguei o cartaz e ele não me pediu para voltar mais tarde. Mandou-me entrar”. Entrou, foi ficando e hoje em dia consegue ser freelancer no mercado austríaco, ainda não excessivamente saturado. “Por estranho que isto possa parecer, em Lisboa há mais ateliers bons do que em Viena. Os austríacos ficam aquém da qualidade dos portugueses, onde o mercado está saturado”.

Apesar de tudo, a estadia em Viena “é temporária”, sugere Silvio, que nos últimos tempos não fica indiferente à “fuga” de Portugal por parte de jovens criativos portugueses. “Nota-se. Muita gente partilha a frustração de não poder escolher ficar em Portugal. E, no meu caso, não é bom não ter opção de voltar”. É uma opção? “É possível trabalhar em Portugal se se conseguir uma carteira de clientes fora de Portugal”.

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