Portugal é 49.º na lista da competitividade mundial – caiu quatro lugares

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Foto: Pascal Lauener/ Reuters (arquivo)

Este posicionamento resulta sobretudo de um ambiente macroeconómico muito degradado, critério em que o país fica na 116.ª posição, e na eficiência do mercado laboral, em que fica na 123.ª posição. A melhor classificação é obtida nas infra-estruturas, em que Portugal se posiciona em 24.º.

O secretário de Estado da Competitividade, Carlos Oliveira, considera que os resultados deste ano ainda não tomaram em conta as reformas aplicadas, o que deverá acontecer para o ano. “Diria que, seguramente, no inquérito do próximo ano teremos resultados mais alinhados e que já tenham em consideração estas reformas, que são fundamentais para o aumento da competitividade da economia portuguesa”, afirmou à Lusa.

O país mais competitivo desta lista, que este ano abrange 144 nações, é a Suíça – pelo quarto ano consecutivo –, seguida de Singapura e da Finlândia.

A Suécia subiu para o 4.º lugar, os Países Baixos subiram para 5.º e a Alemanha mantém-se em sexto. Os EUA caíram pelo quarto ano consecutivo, estando agora em 7.º (no ano passado estavam em 5.º).

Numa conferência de imprensa para apresentação dos resultados do Relatório da Competitividade Global para Portugal, o economista João Salgueiro disse que a “Europa é neste momento um continente parado na competitividade”. Para melhorar a posição de Portugal no índice do Fórum Económico Mundial, é preciso criar novos postos de trabalho e mudar para um modelo económico que encoraje “o investimento produtivo que resista à concorrência”. E acrescentou: “Há 20 anos que andamos a falar [em reformas estruturais urgentes]. Há uma diferença entre falar e fazer.”

Por seu lado, o economista Miguel Beleza sublinhou também que “é essencial a capacidade de concorrer com o exterior”. Sem essa capacidade “acumulamos dívida externa”.

Índice com lógica neoliberal

O Fórum Económico Mundial, com sede na Suíça, apresenta-se como uma organização independente, mas os critérios adoptados para calcular a competitividade dos países, a partir de um índice, reflectem a ideologia neoliberal dominante nos meios de negócios.

A competitividade de cada país nestes relatórios é avaliada a partir do Índice de Competitividade Global que a instituição calcula, com base em 13 grupos de indicadores (a que chama “pilares”): instituições, infra-estruturas, ambiente macroeconómico, saúde e educação básica, educação superior e formação profissional, eficiência do mercado de bens, eficiência do mercado de trabalho, desenvolvimento do mercado financeiro, disponibilidade tecnológica, dimensão do mercado, sofisticação de negócios e inovação.

Além de grande parte dos dados utilizados serem obtidos em inquéritos de opinião junto de executivos das empresas, o que tem geralmente uma forte componente subjectiva, nos casos em que isso não acontece os indicadores pressupõem, por vezes, que o que é mais favorável aos empresários é o mais favorável à competitividade.

Por exemplo, os custos de despedimento são um dos critérios utilizados para avaliar a “eficiência do mercado de trabalho”, entendendo-se que maior custo em despedir representa ineficiência. Do mesmo modo, uma maior carga fiscal sobre os lucros das empresas representa maior ineficiência do mercado de bens, o que se aplica também às restrições alfandegárias ao comércio internacional.

Notícia actualizada às 11h30Última actualização às 11h45

, com declarações de João Salgueiro e Miguel Beleza.