António Borges diz que redução dos custos de produção é essencial para a competitividade

O economista António Borges defendeu hoje uma redução dos custos de produção e a organização dos agricultores nacionais como forma de tornar a agricultura portuguesa mais competitiva e mais orientada para os mercados internacionais.

António Borges participou hoje, na qualidade de professor convidado da Universidade Católica e de agricultor, numa mesa redonda sobre “o que tem a agricultura para dar aos portugueses”, organizada pela Associação Nacional de Produtores de Milho (Anpromis) no âmbito da Agroglobal, Feira do Milho e das Grandes Culturas, que decorre até quinta-feira em Valada, no concelho do Cartaxo.

Para António Borges, a política seguida em Portugal nos últimos anos “fez muito mal à competitividade portuguesa em todos os sectores expostos à concorrência estrangeira, de que a agricultura é um exemplo absolutamente evidente”.

Por outro lado, apontou “uma certa dificuldade” dos agricultores portugueses em se organizarem e trabalharem em conjunto, sobretudo na área da comercialização.

“Sabemos produzir, temos competências técnicas e capacidade de produção, mas não sabemos vender”, disse, apontando o vinho e o azeite como exemplos demonstrativos da dificuldade de criar marca e de criar valor.

“Julgo que isto vem do tempo do Dr. Salazar, em que os agricultores se limitavam a produzir e o Estado tinha os monopólios que lhes garantiam a comercialização”, disse, defendendo que os produtores nacionais têm que “ultrapassar essa fase” e habituarem-se a vender o que produzem.

Além desta organização dos agricultores, que lhes daria dimensão e capacidade negocial, António Borges defendeu uma actuação do Governo, em várias áreas (desde a concorrência à intervenção nos preços por exemplo da energia, entre outros) cuja actuação tem, no seu entender, gerado um impacto negativo na competitividade das empresas.

“Era bom que houvesse, em todas essas frentes, uma preocupação em tornar as nossas empresas mais competitivas, incluindo na agricultura”, afirmou.

O debate contou ainda com as participações do professor do Instituto Superior de Economia e Gestão João Ferreira do Amaral, da ministra da Agricultura, Assunção Cristas, e do presidente da Anpromis, Luis Vasconcellos e Souza, tendo sido moderado pela jornalista Raquel Abecassis.

A Agroglobal decorre num terreno de 200 hectares junto ao rio Tejo, propriedade do Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária (INIAV), no qual foram instalados extensos campos de cultura, zonas de demonstração de máquinas agrícolas e de exposição de empresas e instituições ligadas a toda a fileira.

A feira, que vai na sua terceira edição, é organizada pelas empresas Valinveste, Investimentos e Gestão Agrícola, e Agroterra, pelo INIAV e pela Câmara Municipal do Cartaxo.

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