Organização defende vinculação de mais de 10.000 pessoas com cerca de 10 anos de serviço

Federação Nacional de Educação critica ritual de incerteza sobre colocação de professores

João Dias da Silva critica recurso "a um tão grande número de professores contratados”
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João Dias da Silva critica recurso "a um tão grande número de professores contratados” Rui Gaudêncio

A Federação Nacional da Educação afirmou neste sábado que ninguém entende como pode repetir-se todos os anos o ritual que leva milhares de professores a ficar com a vida suspensa para saberem se foram colocados em véspera da apresentação na escola.

“Isto não devia estar a acontecer”, disse à agência Lusa o secretário-geral da FNE, João Dias da Silva, questionando sobre por que razão não existe já um regime em que as escolas saibam quais são os professores com que contam regularmente e os docentes saibam a que estabelecimento pertencem.

Dias da Silva reagia aos resultados do concurso de colocação de professores a contrato, sublinhando que estes profissionais asseguram necessidades permanentes nas escolas.

O Ministério da Educação anunciou na sexta-feira a contratação de 7.600 professores para o ano lectivo 2012-2013, menos 5.147 do que no ano anterior.

“Não faz sentido que para o funcionamento normal, regular, do sistema educativo, haja recurso a um tão grande número de professores contratados”, lamentou.

O responsável pela FNE recordou a necessidade da vinculação extraordinária de pelo menos 12.000 professores com mais de 10 anos de serviço. “Tem a ver com o que são necessidades permanentes do sistema educativo, que têm de ser asseguradas por professores do quadro”, frisou.

Apresentaram-se a este concurso 51.209 candidatos sem vínculo à função pública, para contratação inicial ou renovação de contrato.

“Isto leva-nos a outra questão, que é a da formação inicial de professores”, observou o dirigente da FNE, sugerindo que o Estado regule a oferta de cursos de professores que estão ainda a formar milhares de pessoas para “terem um diploma”.

Dias da Silva insiste que o nível de precariedade dos professores não tem paralelo: “Qual é a empresa deste país que tem trabalhadores com 10, 11, 12, 14, 15, 16 anos, ao seu serviço e estão sempre em regime de contrato. Isto não é possível, só na Educação, portanto temos de encontrar soluções”.

O dirigente sindical atribui a diminuição de contratações este ano ao encerramento de escolas e criação de agrupamentos, à reorganização curricular e às orientações no sentido de aumentar o número de alunos por turma, bem como à diminuição da oferta de cursos de educação e formação.