Défice de 6,9% revela "falhanço colossal" do Governo e deixa país a "afundar-se"

Foto
O PS encara a situação com “grande preocupação”, disse Eurico Brilhante Dias Filipe Arruda

As críticas do Partido Socialista foram feitas por Eurico Brilhante Dias, do secretariado nacional, que falava aos jornalistas à margem da Universidade de Verão do partido, que decorre em Évora.

O défice orçamental no primeiro semestre do ano ter-se-á situado nos 6,9%, segundo os cálculos divulgados neste sábado pela Unidade Técnica de Apoio Orçamental (UTAO).

O PS encara a situação com "grande preocupação". Isto porque, segundo a UTAO, "nos últimos anos, em média, no último trimestre, o défice ascende a 5,5 mil milhões de euros".

"Mesmo descontando o efeito dos subsídios de Natal, que não serão pagos aos funcionários públicos e aos pensionistas, há um risco muito elevado de a derrapagem orçamental poder vir a ser ainda mais substantiva do que aquela estimada pelo Governo e que está, presumimos, como quadro da quinta revisão da troika", acrescentou.

"Os portugueses padeceram e continuarão a padecer, até ao fim do ano, com enormes sacrifícios, e esses sacrifícios não estão a trazer a remuneração adequada. A parte do Governo era fazer com que Portugal cumprisse os 4,5%" de défice, frisou.

Mas nem mesmo com "a folga orçamental que guardou para si, para a execução deste orçamento, o Governo foi capaz de cumprir a sua parte", disse, sublinhando que "a parte dos portugueses foi integralmente cumprida".

Eurico Brilhante Dias realçou ainda que o PS já sabia que as receitas fiscais e os impostos indirectos estavam a descer, mas agora, salientou, surgiu "a novidade de que os impostos directos, o IRC e o IRS, também já estão a decrescer, em termos homólogos".

Para além disso, afirmou o responsável do PS, "a despesa corrente primária está a diminuir abaixo do padrão esperado para 2012, o que significa que a despesa efectiva decresce, mas fundamentalmente porque Portugal está a pagar menos juros do que o estimado no Orçamento do Estado".

PCP critica "política direccionada contra quem trabalha"

O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, criticou o Governo por não conseguir resolver os problemas do défice, nem os do país.

"Nós dizíamos na altura: podem conseguir resolver o problema do défice, mas afundam o país. Afinal nem uma coisa nem outra, não resolveram nem o problema do défice, nem a situação do país", disse Jerónimo de Sousa, após um discurso aos participantes na jornada de trabalho da Festa do Avante.

O líder comunista acrescentou que há vários indicadores que mostram que a situação tem-se vindo a agravar, apontando nomeadamente os números recentemente divulgados pelo Eurostat e que apontam para um desemprego recorde de 15,7% em Portugal.

Para Jerónimo de Sousa, os problemas resultam "de um política direccionada contra quem trabalha" e que assenta "na destruição do aparelho produtivo".

"Com isto, o défice não se resolve e o drama maior é o país estar a afundar-se", frisou.