Automobilismo

A Fórmula 1 vai ter uma versão amiga do ambiente a partir de 2014

O uso de energias limpas será a principal diferença face aos monolugares da Fórmula 1
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O uso de energias limpas será a principal diferença face aos monolugares da Fórmula 1 Foto: Reuters

A futura Fórmula E — de eléctrica — está a um passo de se tornar uma realidade. A FIA licenciou os direitos comerciais e dentro de dois anos deve haver um campeonato.

Haverá seguramente muitas outras diferenças, mas o barulho dos motores será uma das mais evidentes. Se tudo correr dentro dos prazos previstos, em 2014, a Fórmula 1 verá nascer uma espécie de parente ecológico, com o rótulo Fórmula E, depois de a Federação Internacional do Automóvel (FIA) ter decidido licenciar os direitos comerciais da prova.

É um grito de afirmação da energia eléctrica no mercado da competição automóvel. A ideia é relativamente simples: passa por atrair um conjunto de dez equipas e 20 pilotos em grandes prémios de cerca de uma hora de duração, a terem lugar “no coração das grandes cidades”. Os monolugares, esses, serão exclusivamente alimentados por energia eléctrica, com uma bateria de 300kg de peso máximo, havendo liberdade quase total para definir as restantes especificações. Os eventos de demonstração vão começar já no próximo ano.

O primeiro grande passo para lá chegar foi dado ontem, com a atribuição da licença a um consórcio internacional — a Formula E Holdings (FEH) — encabeçado pelo empresário espanhol Alejandro Agag. O britânico Paul Drayson, político e piloto amador (já participou nas 24 Horas de Le Mans) e o empresário francês Eric Barbaroux também fazem parte da estrutura da FEH, que terá como investidor principal o espanhol Enrique Bañuelos, com fortuna feita no imobiliário e o 854.º classificado na lista mundial dos bilionários, elaborada pela Forbes.

“Estamos muito satisfeitos com o acordo alcançado com a FIA. Vemos a Formula E como uma grande oportunidade para criar um novo e emocionante espectáculo que junta corridas automóveis, energias limpas e sustentabilidade, de olhos postos no futuro”, destacou Agag. “Esperamos que este campeonato se torne o modelo para pesquisa e desenvolvimento no que diz respeito aos automóveis eléctricos, um elemento essencial no futuro das nossas cidades”, acrescentou o responsável da FEH. “Esta nova competição, no coração de grandes cidades, irá atrair uma nova audiência. Estamos satisfeitos pelo acordo obtido com a FEH, porque irá proporcionar novas experiências ao desporto automóvel”, destacou o presidente da FIA, Jean Todt.

A nova competição introduzirá algumas alterações em relação ao figurino actual da Fórmula 1, sublinhou Agag: “A principal novidade é que tudo irá acontecer num dia”, ao contrário do fim-de-semana de três dias da Fórmula 1 (treinos livres, qualificação e corrida). “Outros dois aspectos são o facto de a pole position ser atribuída em resultado de eliminatórias, com os carros a correrem uns contra os outros, num formato semelhante ao ténis. E nas paragens na box o piloto não irá trocar de pneus ou baterias, mas vai mudar de carro”, explicou.

A Drayson Racing Technologies, de Paul Drayson, desempenhará funções de consultadoria científica para a FEH. “Como pioneiros no desporto automóvel eléctrico, acreditamos que a Fórmula E pode tornar-se no primeiro campeonato global de velocidade verdadeiramente sustentável, encorajando a inovação científica e a adopção de veículos sem emissões”, sublinhou o britânico, na expectativa de que o próprio mercado automóvel venha, a prazo, também a tirar dividendos desta aposta.

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